Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 05/09/2019
O longa “Capitão Fantástico”, de Matt Ross, mostra a vida de uma família de seis filhos que, por escolha dos pais, recebem educação domiciliar. A obra contrasta a vantagem intelectual que esse método de ensino promove, sobre o convencional, com a dificuldade de inclusão dessas crianças na sociedade cívica contemporânea. Perante o atual cenário da educação regular brasileira, a regularização do ensino domiciliar tem sido colocada em questão no congresso.
Em primeira instância, é importante destacar as motivações para a escolha do ensino domiciliar. Segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar, parte das famílias brasileiras optam pelo “homeschooling” por conta da insatisfação com o ensino convencional e por questões religiosas. Consoante à isso, está a falta de confiança na qualificação dos profissionais de ensino, fortificada por dados do Censo da Educação Básica, que mostram que mais de 60% dos professores de física, por exemplo, não têm especialização na área.
No entanto, a expansão da educação domiciliar, sobretudo no Brasil, pode encontrar grandes obstáculos. Pesquisas do IBGE apontam que cerca de 40% dos domicílios brasileiros não possuem acesso à internet. Outrossim é a marginalização da socialização secundária, que tem como princípio imergir o indivíduo, já socializado, em outros setores, como a escola.
Neste sentido, se faz importante que o Estado tome providências perante a insatisfação das famílias brasileiras com o sistema de educação atual. Para isso é preciso que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova reformas por meio de investimento para pesquisas e especializações, a fim de se ter profissionais de educação qualificados e motivados, que superem o déficit de educação no Brasil, deixando o ensino domiciliar em última instância.