Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 11/09/2019
Segundo Durkheim, filósofo francês, a interação entre o educando e o professor têm como principal objetivo a formação de pessoas capazes de contribuir para a harmonia social. Nessa lógica, percebe-se que, no Brasil, o ensino domiciliar – também conhecida como “homeschooling”- corrobora para o afastamento do convívio da sociedade, pois não há interação entre docente e aluno, sendo nefasto para o desenvolvimento social do individuo. Dessa forma, fica claro que o problema de socialização do cidadão - devido seu afastamento do corpo social-, bem como a redução visionária do mundo, a qual ficaria limitada às ideologias dos pais, são alguns dos desafios para efetivação do ensino domiciliar.
A princípio, o ensino domiciliar corrobora para o desenvolvimento deficitário do indivíduo. Nesse sentido, na obra cinematográfica “Capitão Fantástico”, uma família vive em uma floresta isoladamente por escolha do pai, mas ao se conectar a um meio social diferente, percebe-se o quanto os filhos não estão preparados para o convívio com outras pessoas devido a não compreensão das diferenças. Paralelo a isso, no mundo real, é indubitável que, no Brasil, o ensino domiciliar afasta o cidadão da possibilidade de lidar com pessoas, conflitos e pressões sociais, dado que a escola, além de servir como lugar de conhecimento, também tem a função de ser o local de primeiro contato do individuo com diversas pessoas e culturas, o que é necessário para seu desenvolvimento social.
Em segundo plano, é notório que a visão de mundo do individuo é reduzida, dado que os pais que eles que ministrarão as aulas. Nesse sentido, conforme John Locke, filósofo inglês, em sua teoria da “Tábula Rasa”, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências. Por conseguinte, é certo que o discente ficará submetido a uma visão restrita da vida a mercê dos ideais dos seus responsáveis, similar a um quadro, sendo nocivo para seu desenvolvimento como pessoa na sociedade civil, o afastando ,assim, de um bom desempenho acadêmico. Comprova-se, portanto, a dificuldade da efetivação do ensino domiciliar, em virtude da atenuação visionária do mundo.
Logo, cabe ao MEC– visto que é o responsável por estabelecer projetos e diretrizes da educação -, reformular as bases do ensino domiciliar, através de debates entre professores e pais que já ministrem aulas para os filhos, para promover a inclusão social entre alunos tanto do ensino presencial quanto do “homeschooling”, por meio de aulas interativas bimestrais em locais públicos e escolas, a fim de minimizar o desenvolvimento deficitário do estudante. Ademais, o Estado deve, junto ao MEC, criar um projeto de base curricular com suporte no que é estudado nas escolas em cada semestre, para o seguimento dessa linha também nos estudos em domicilio. Tal ação promoverá, certamente, uma sociedade harmônica como citou Durkheim.