Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 27/09/2019

Mesmo diante do padrão de média econômica e social brasileiro, o ensino domiciliar (“homeschooling”) vem sido cada vez mais aceito e implementado como opção de educação na vida das famílias. No entanto, a falta de leis que estabeleça diretrizes básicas para que o direito da educação seja exercido em isonomia com o do ambiente escolar, e a própria jornada de trabalho dos pais, dificulta esse processo. Assim, depende da realidade de cada família brasileira, para que esse processo educacional ocorra efetivamente na vida dos filhos.

É preciso pontuar, de início, que esse tipo doméstico de ensino surgiu nos anos 70 nos Estados Unidos, com bons resultados, e ganhou maior expressão no Brasil na década de 1990. Diante disso, algumas vantagens foram apresentadas, sendo a principal de passar a responsabilidade de educação do Estado, ou de uma professora desconhecida, às pessoas mais interessadas na educação dos filhos: os pais. Além disso, é levado mais em consideração a importância do desenvolvimento infantil no tempo de cada criança, em que, muitas vezes, a escola torna-se um ambiente hostil por padronizar o modo de aprendizado. Logo, cada criança seria respeitada por sua individualidade, e o seu desenvolvimento seria mais completo.

Por outro lado, a realidade emergente no Brasil, com mais de 7 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, somado a um sistema de educação muitas vezes falho, impossibilita que isso seja uma escolha. Nesse sentido, os pais possuem uma longa jornada de trabalho – muitas vezes mais de um turno – para sustentar seus filhos. Dessa forma, é inviável que um dos pais ou responsável, pare de trabalhar para se dedicar totalmente à seu filho, ou pagar para que alguém faça esse trabalho. Logo, numa realidade difícil ou mais comum, a única possibilidade de educação aos filhos é através da escola padrão brasileira.

Em suma, considerando os aspectos mencionados, o modo de educação fica a critério dos pais, de acordo com sua realidade e crenças. O Estado deve criar leis que favoreçam àqueles que querem optar pelo “homeschooling” e, ao mesmo tempo, oferecer uma melhor educação pública – mudando seu formato para um mais eficiente. Dessa forma, será possível garantir uma educação de qualidade nas escolas, e oferecer o apoio legal necessário para que o ensino doméstico seja benéfico.