Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 07/10/2019
O filme “Extraordinário” retrata a vida do personagem Auggie Pullman, portador de uma doença rara caracterizada por uma deformidade facial, a qual dificulta a socialização do garoto no ambiente escolar tradicional. Visto isso, a família de Auggie opta pela educação domiciliar para afastá-lo do bullying e do majoritário preconceito. Entretanto, na realidade brasileira, a educação domiciliar diferencia-se do padrão estadunidense de ensino devido o déficit no sistema educacional e o descaso governamental. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover medidas para equacionar a problemática.
A priori, é imperioso destacar a insuficiência do sistema educacional brasileiro no impasse. Isso porque a falha na forma tradicional de ensino tornou-se um fator preponderante na decisão de famílias brasileiras adotarem o “Homeschooling”. Dessa forma, motivados pelo agravamento do ensino e de práticas discriminatórias e preconceituosas contra as crianças, o ensino domiciliar provou ser uma alternativa para diversas famílias. No entanto, possibilita restrições ao convívio social e no desenvolvimento pessoal dos indivíduos. De fato, tal atitude relaciona-se com o conceito de “Solidariedade Orgânica” do sociólogo Émile Durkheim, classificação dada as civilizações mais avançadas que possuem laços sociais mais frágeis e individualistas.
Nesse contexto, não há como provar que o ensino doméstico possa oferecer a pedagogia e didática necessária a uma formação de qualidade. Sob tal ótica, de acordo com o Ministério da Educação (MEC), até 2018, não há estudos que atestem a qualidade dessa metodologia de ensino. Por conseguinte, devido à inobservância governamental, os defensores do ensino domiciliar produzem discursos contra o sistema brasileiro de educação e corroboram com o individualismo na forma de ensino dos seus filhos. Assim, os impede de socializar e conviver com a diferença.
Destarte, para que a educação brasileira obtenha avanços significativos. O Ministério da Educação e Cultura deve financiar campanhas midiáticas para evidenciar as consequências do ensino domiciliar, por meio de verbas governamentais, a fim de democratizar a informação. Outrossim, é vital o investimento na estrutura educacional brasileira, principalmente nas escolas públicas para que as diferenças sejam amenizadas. Somente assim, será possível mudar o quadro atual sem a necessidade de recorrer a um ensino domiciliar como em Extraordinário.