Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 09/10/2019

A educação domiciliar ou “homeschooling” baseia-se na troca do ensino tradicional, realizado em escolas, por um familiar, na qual os pais ensinariam os filhos ou contratariam alguém para ensiná-los. O “homeschooling”, bastante comum em países como Estados Unidos, levanta discussões acerca dos motivos que levam os pais a optarem por ele, como a má qualidade do ensino público brasileiro, e as consequências que ele pode acarretar se implementado, como o trabalho infantil.

Sem dúvida, o deplorável sistema de educação atual tem uma grande participação no aumento do número de pais que preferem o ensino domiciliar. Uma vez que a principal causa da evasão escolar é o desinteresse dos jovens pelo conteúdo e o jeito como as aulas são dadas, muito se discute na sociedade moderna o que é necessário ou não de se aprender. Nesse contexto, também deve-se ressaltar as péssimas condições de infraestrutura escolar, visto que, basta ligar a televisão para ver notícias de que algum prédio escolar sofreu um incêndio, ou foi pixado, ou não tem nem mesas e carteiras. Toda essa situação só aumenta a insatisfação dos pais, que preferem criar e ensinar seus filhos longe desse ambiente.

Embora o “homeschooling” tenha suas vantagens, ele também apresenta problemas graves, como uma possível abertura para o trabalho infantil. Ao afrouxar a obrigatoriedade do ensino obrigatório em escolas, pais que não possuem boas condições de vida, vão ver no ensino domiciliar uma oportunidade para conseguir um dinheiro extra ao colocar seus filhos para trabalharem. Além disso, a escola também é uma instituição social que deve zelar pela vida de seus alunos e garantir seus direitos como seres humanos. Longe delas, as crianças e jovens podem ficar expostas a situações de abusos por parte de seus pais.

Dessa forma, o Ministério da Educação (MEC) deve fazer uma reforma educacional com foco na melhoria da infraestrutura das escolas de forma a garantir a segurança e o direito de aprenderem num local adequado dos alunos, e na mudança da Base Comum Curricular para que sejam incluídas matérias que estimulem e interessem o jovem e que façam os pais confiarem no sistema educacional novamente. Ainda mais, o poder Legislativo brasileiro deve criar leis especificas desse modelo de ensino contra o trabalho infantil e contra abusos físicos a fim de garantir a integridade física dos jovens, que não devem se preocupar com nada que não seja a sua educação e o seu futuro como cidadãos.