Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 16/10/2019

Segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade prevalece sobre os indivíduos, pois, quando nascem, seus hábitos, costumes e línguas já são preestabelecidos. Paralelamente, o papel da escola tange uma intensa importância na construção social e intelectual dos adolescentes. Entretanto, atualmente, já praticado por 67 países, cresce no Brasil a prática do ensino domiciliar, que consiste na educação letrada ministrada pelos pais. Nessa perspectiva, é cabível avaliar o crescimento desse método educacional e seu impacto na formação educacional dos adolescentes.

Em primeira análise, a defesa da prática -educação domiciliar- se sustenta na busca de autonomia dos pais sobre a educação direcionada aos filhos, assumindo controle do conteúdo ao qual serão expostos, e também, por resguardar a criança da exposição ao bullyng e a pressões sociais. Apesar disso, os estudantes do ensino doméstico são privados de contato com pessoas de sua idade, e com o circulo social limitado a membros da família tornando-se reféns de uma bolha social e pobre de pensamento coletivo.

Ademais, deve-se verificar em exemplo aos contrastes presentes entre educação escolar e a domiciliar, a obra cinematográfica “Capitão Fantástico”, dirigido por Matt Ross, a qual exibe uma família em que o pai cria seus filhos distantes da civilização. Embora, a educação destinada a eles fosse disciplinada e rígida, os mesmos ao terem contato com pessoas com convívio social amplo, apresentam dificuldades em lidar com o diferente.

Portanto, sendo o homem fruto da educação, consoante ao principio kantiano, a falta de investimento na mesma por parte do governo, acentua a escolha de muitos pais em optarem pela educação domiciliar. Infere-se, logo, a necessidade de investimento de verbas em centros educacionais e em transportes escolares em áreas de difícil acesso, como em zonas rurais, por meio do Ministério da Educação, a fim de garantir um ambiente capaz de atender os alunos de forma acolhedora, principalmente em escolas públicas e federais e garantir que tenham como comparecer as aulas. Dessa forma, compactuando para que o ensino domiciliar seja apenas para aqueles que optarem, e não como a unica forma de ter acesso a educação.