Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 17/10/2019

De acordo com o filósofo John Locke, a sociedade constitui o Estado com o intuito de garantir o exercício de seus direitos,dentre eles a igualdade e a educação.No entanto,hoje,no Brasil,observa-se que tais garantias não são asseguradas de fato,uma vez que há o crescimento exponencial do ensino domiciliar. Nesse sentido,deve-se analisar a dificuldade de socialização e a importância do ambiente escolar na comunidade.

Convém ressaltar,a princípio,que com a modificação da educação tradicional no país,problemas de integração no corpo social serão constantes.Isso porque quando o indivíduo é submetido ao ensino em sua residência,ocorre,em muitos casos,a minimização do convívio em sociedade,o que resulta em futura dificuldade de adentrar no mercado de trabalho formal.Desse modo,com tais obstáculos,somados à questões religiosas,acontece a omissão de conhecimento sobre determinados assuntos,como a sexualidade,dado que diversos pais acreditam que debater sobre essa temática é incentivar atos sexuais precoces.Assim,segundo o site Radioagência Nacional houve uma acentuação da educação domiciliar,cerca de 2 mil por cento entre 2011 e 2018.Em suma,vê-se que o impedimento da socialização dificulta o progresso da sociedade.

Deve-se atentar,ainda,sobre o papel de importância do ambiente escolar para formação do indivíduo.Sendo assim,quando esse é privado de tal convívio,intercorre a falta de experiências com outros de sua faixa etária e faz com que o jovem fique propício a desenvolver doenças mentais,como a depressão.Dessa maneira,conforme o trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade,“No meio do caminho tinha uma pedra/Tinha uma pedra no meio do caminho”,nota-se que a ausência de relações interpessoais se configura como obstáculo para o desenvolvimento mental das crianças. Logo,observa-se que a escola é fundamental para garantir a cidadania aos jovens e para a formação individual desses no corpo social.

Infere-se,portanto,a necessidade de medidas para atuação da educação domiciliar.Para isso,o Governo Federal,aliado à ONGs,deve acompanhar o desenvolvimento desses estudantes,mediante a realização de visitas periódicas de psicopedagogos e garantia da realização de atividades físicas e coletivas desses alunos,haja vista a falta dessas atitudes na comunidade,a fim de estimular a socialização e a formação desses.Por fim,a Prefeitura,em conjunto com as secretarias municipais,precisa promover a saúde mental das crianças,por meio do acompanhamento mensal de psicólogos,para garantir o desenvolvimento mental dessas e minimizar o isolamento.Dessa forma,pode-se afirmar que os direitos abordados por Locke serão efetivados no país e o impasse atenuado de modo gradual.