Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Durante a Idade Média, as instituições de ensino constituíam-se de mosteiros, nos quais o conhecimento era limitado a poucas pessoas, e exigia o isolamento do indivíduo. De forma análoga, hodiernamente, muitos pais optam por privar seus filhos da convivência no ambiente escolar,  já que aderem ao ensino domiciliar. Tal prática, motivada pela incompetência escolar na formação do indivíduo ou pela necessidade dos pais conferirem proteção às crianças, pode causar sequelas comportamentais e psicológicas nos mais jovens, o que ressalta a necessidade de avaliar maneiras de modificar o paradigma.

Em primeiro plano, vale salientar que a Escola tem falhado na formação emocional e intelectual dos cidadãos, o que serve de motivação para aderência ao ensino em casa. Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, o grande desafio das escolas atuais é acompanhar as transformações circunstanciais dos alunos, que englobam o uso excessivo de tecnologia, problemas familiares, dificuldades de aprendizagem, dentre outros. Assim, o ambiente escolar acaba por direcionar pouca atenção individual às crianças, o que releva casos de bullying, assédio e exclusão, fato que resulta na preferência dos pais por educação domiciliar, a fim de poupar seus filhos das opressões do ensino tradicional.

Todavia, apesar dos pais sentirem-se responsabilizados pela condução educacional de seus filhos, retirá-los do ambiente escolar pode trazer desvantagens. De acordo com o filósofo Aristóteles, o homem é um animal social, e limitações impostas pelo domicílio contrariam a socialização e interação da criança, que pode desenvolver estresse e comportamentos antissociais. Além disso, a seleção de bons materiais, a dificuldade de manter o ambiente interessante e lúdico, somado à limitação financeira dos pais caso contratem tutores, constituem impasses que necessitam ser contornados para a manutenção da saúde emocional dos mais jovens.

Com base nessa perspectiva, uma ação conjunta é necessária para lidar com a problemática, na qual o Ministério da Educação, em parceria com o Governo, direcione investimentos para a elaboração de uma infraestrutura adequada no ambiente escolar, o que inclui atividades interativas, psicopedagogos para atendimento individual e reuniões regulares com os responsáveis, a fim de discutir maneiras de aprimorar a formação social dos alunos e combater possíveis aderência ao ensino à domicílio. Além disso, o Poder Legislativo deve elaborar leis que limitem a regulamentação para a educação domiciliar, já que vai contra os direitos da criança e pode gerar sequelas. Assim, a Escola irá superar os impasses postulados por Cortella, e se tornará um ambiente adequado para a construção do cidadão.