Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 31/10/2019

O filósofo alemão Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “A coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o homem alcance sabedoria para lidar com suas questões problemáticas. Tendo isso em vista, pode-se perceber que, na contemporaneidade, o ensino domiciliar no Brasil toma forma devido ao Estado falhar em garantir com inteligência uma estrutura educacional de qualidade, de modo que os entraves se fortificam devido à negligência governamental e à indiligência familiar.

Em primeiro plano, é imperioso salientar as questões familiares como impulsionadores do crescente interesse pela educação domiciliar. Acerca disso, é possível exemplificar os responsáveis que adotam o método de educação familiar por questões de cunho religioso. Isso, consoante ao pensamento do filósofo Arthur Schopenhauer de que o campo de visão de uma pessoa limita as oportunidades que a cercam, ocorre tendo em vista que o sistema educacional brasileiro é laico, logo, não suprem as expectativas parentais no que tange à educação religiosa esperada. Sendo assim, os pais excluem os filhos do convívio social, prejudicando a construção do pensamento coletivo imprescindível para uma harmoniosa relação humana.

Além disso, há contratualmente a missão de a constituição ser cumprida por todos os governos. No entanto, pode-se perceber uma falha no papel social do Estado como agente fornecedor de educação, haja vista a parca manutenção das instituições educacionais do país, o qual apresentam precária infraestrutura e escasso número de professores, sobretudo na rede pública de ensino. Esse panorama se evidencia, por exemplo, no aumento dos adeptos ao ensino domiciliar, cuja carga horária flexível e uma maior oferta de conteúdo são os maiores atrativos, visto que não há prejuízos ao processo de aprendizado dos infantes. Nesse sentido, a responsabilidade do Poder Público apresenta-se de forma parca, falhando em cumprir o artigo 6 da Constituição Federal e o alienável direito à educação pertencente ao brasileiro.

Por tudo isso, é mister que o Estado tome iniciativas a fim de minimizar o crescimento da educação domiciliar no Brasil. A fim de que os pais desenvolvam a criticidade da importância do convívio social para o crescimento individual dos filhos, urge que o Ministério da Educação, junto ao Governo Federal crie, por meio de verbas governamentais, campanhas em redes sociais e emissoras abertas de televisão, trazendo sociólogos educares para explicar os prejuízos trazidos pela exclusão do ensino convencional. Desse modo, o Brasil será capaz de alçar o voo pretendido por Hegel.