Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 31/10/2019
Em sua obra “O menino do pijama listrado", John Boyne exprime a realidade de um garoto na época da Segunda Guerra Mundial. No livro, é narrado as consequências negativas do ensino domiciliar aplicado à protagonista – dificuldade de relacionamento social e falta de engajamento perante seu contexto histórico. Analogamente, fora da ficção, é fato que o ensino domiciliar ceifa da escola seu fundamental papel de socialização, bem como dificulta a promoção de senso crítico nos aprendizes domésticos.
A princípio, reconhece-se como a escola tem por função proporcionar o primeiro contato dos indivíduos à sociedade que os permeia. Acerca disso, rememora-se o discurso do psicólogo estadunidense Abraham Maslow, que disserta em seu estudo “Hierarquia de necessidades” a imprescindibilidade da socialização primária para que se alcance uma autorrealização em plenitude. Logo, é inconcebível acreditar que um ambiente mitigado de contato social seja benéfico aos indivíduos, principalmente, em sua infância.
Além disso, é ponto pacífico inferir que a educação domiciliar tende a aprisionar, catastroficamente, os alunos em uma bolha de posicionamentos. Dessa maneira, de acordo com o filósofo grego Protágoras, é necessário conhecimento dos cidadãos perante seu contexto histórico a fim de que possam formular críticas bem como posicionar-se em relação a sua realidade. Portanto, não há como esperar que indivíduos, que aprisionam-se dentro das ideologias familiares, possam conhecer seu meio e, consequentemente, engajar-se frente a ele.
Destarte, é notório a necessidade de permanência das instituições físicas que promovam contato entre discentes para sua socialização. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação – em parceria com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos – crie um projeto de lei que incentive as famílias a levarem seus filhos à escola, por meio de campanhas virtuais e televisivas que informem os benefícios dessa prática na vida social e cognitiva dos alunos. Dessa forma, é passível de concepção uma realidade na qual os indivíduos possam gozar de sua socialização engajando-se perante sua realidade, diferente do que é narrado por John Boyne em “O menino do pijama listrado".