Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 02/11/2019

“Homeschooling”, ou educação domiciliar, é a prática na qual o aluno é ensinado em casa, pelos pais ou familiares, e não em instituições tradicionais. Segundo a ANED (Associação Nacional de Educação Domiciliar), esse método de ensino está cada vez mais comum, já que estima-se pelos menos seis mil famílias adeptas à educação domiciliar no Brasil. Contudo, fatores como a falta de mecanismos de controle e de convívio social podem comprometer o desenvolvimento intelectual dos indivíduos e dificultar a implantação dessa metodologia no território brasileiro.

No filme “Meninas Malvadas”, a protagonista Cady, que foi educada pelos pais na infância, encontra-se à frente de seus colegas quando vai para a escola pela primeira vez. Com isso, ela enfrenta dificuldades em se socializar e acaba se envolvendo em vários conflitos. Paralelamente, a obra ressalta a importância de se promover o convívio social com grupos diversos para o amadurecimento intelectual dos jovens e das crianças. Logo, torna-se fundamental o desenvolvimento de meios que propiciem a educação familiar sem comprometer as relações sociais.

Ademais, a escassez de recursos para a avaliação dos alunos que recebem esse tipo de educação identifica-se como outro agente na problemática. Na maioria dos países onde a educação domiciliar é comum, como nos Estados Unidos, é aplicado um teste anual para os estudantes educados em casa, com o objetivo de garantir que eles estão recebendo o ensino básico. No Brasil, essa metodologia ainda não é regulamentada adequadamente, sendo necessário a implantação de mecanismos de controle dos pais e dos filhos que optaram pelo “homeschooling”.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação promova, por meio de investimentos, a criação de órgãos especializados no acompanhamento dos alunos que recebem educação domiciliar, visto que a falta desse recurso é um dos impasses para a implantação de tipo de ensino na sociedade brasileira, a fim de garantir que as crianças e os jovens recebam a educação adequada para sua formação. Cabe, ainda, aos familiares que escolheram educar seus filhos em casa, estimular em outros espaços, como associações esportivas, clubes e parques, o convívio com outras pessoas, com intuito de assegurar o desenvolvimento intelectual e social dos alunos. Assim, o Brasil torna-se-á referência em educação domiciliar para o mundo.