Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 18/02/2020

O filme estadunidense “Meninas Malvadas”, relata a vivência da adolescente Cady ao ser matriculada pela primeira vez em um colégio público, aos dezesseis anos. Nesse contexto, devido ao fato do trabalho de seus pais exigirem mudanças locacionais, a jovem foi educada mediante o ensino domiciliar. Todavia, na escola a menina se encontra desintegrada, já que possui dificuldades de adaptação. Analogamente, hodiernamente, no Brasil, a ausência do convívio escolar causa impactos negativos a quem recebe esse modelo de aprendizado. Sendo assim, dentre as principais questões ligadas ao tema, têm-se: a escassez de interação social e a falta de relação entre alunos e professores. Desse modo, são precisas medidas que culminem com tais impasses e garantam o ensino institucional.

Inicialmente, destaca-se a carência do contato social. Nesse sentido, o indivíduo que recebe educação de maneira doméstica não interagi socialmente com pessoas de sua idade, visto que não vai à escola que é uma instituição de socialização. Segundo o filósofo John Locke, as pessoas nascem sem nenhum tipo de conhecimento e só conseguem obtê-lo de forma prática, ou seja, por meio de experiências ao longo da vida. Porém, no que diz respeito a essa modalidade não há interação com o meio nem aquisição de saber empírico, haja vista que falta o estabelecimento de relações coletivas. Dessarte, o ensino domiciliar se caracteriza como empecilho na construção da sociedade brasileira.

Ademais, lembra-se acerca do papel fundamental da escola. A pessoa que não participa do ambiente estudantil não se relaciona com o professor a fim de aprender com ele, bem como ensiná-lo, em uma relação de reciprocidade. Consoante o educador brasileiro Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, a escola tem por função ensinar o aluno a “ler o mundo” para poder transformá-lo. Nesse caso, o docente transfere conhecimento, mas também o recebe de seus alunos em uma situação de inter-relação. Entretanto, o ensino domiciliar retira o método pedagógico da educação, o que prejudica a instituição escolar no Brasil.

Logo, alternativas devem ser apresentadas para a resolução da problemática que envolve o homeschooling. O Ministério da Educação - cuidador da política nacional da educação (PNE) - deve promover a criação de leis que estabeleçam a soberania da educação tradicional no país, com a finalidade de preservar as atividades educacionais e a associação escolar. Além disso, é importante que sejam veiculados na mídia campanhas que abordem a importância da escola para a vida do estudante, com o objetivo de que essa instituição seja vista como um atrativo para os indivíduos, e assim, haja o convívio entre membros sociais. Em síntese, com essas ações, certamente, não haverá problemas causados pelo ensino domiciliar, uma vez que a educação escolar será priorizada.