Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 27/06/2020
De acordo com o sociólogo Pierri Bordieu, a escola se comporta como reprodutora das desigualdades sociais, na qual se manifesta a violência simbólica que é expressada de forma inconsciente, porém é a causa de danos morais e psicológicos. Por isso, a discussão sobre liberação da educação domiciliar, o que já ocorre em outros países, chegou ao Brasil. Entretanto, tal mudança radical pode acarretar em danos na vida das crianças.
Primeiramente, é evidente que o convívio entre pessoas da mesma faixa etária é importante para o desenvolvimento pessoal. Nesse sentido, é na escola que as crianças, ao entrar em contato com outras, desenvolvem mecanismos de convivência essenciais. Tais mecanismos, que já adquiridos na infância, serão imprescindíveis em todas as fases da vida, como para a harmonia em seu futuro ambiente de trabalho. Então, é certo que, a criança que recebe educação em casa, ao ser limitada do contato além da família irá sentir dificuldades de socializar ao chegar em sua fase adulta.
Ademais, o ensino domiciliar também pode colocar em risco a saúde física e psicológica da criança. Para exemplo disso, tem-se a série documental “o caso Gabriel Fernandez”, na qual mostra a história: a professora após notar atitudes suspeitas em seu aluno, acionou assistentes sociais que não registraram os casos de maus-tratos no menino Gabriel, porém, após as visitas o mesmo foi assassinado pela sua mãe e padrasto. Portanto, é explícito que a socialização quando restrita ao círculo pessoal pode favorecer o disfarce de abusos físicos, psicológicos e até sexuais. Pois, é na escola que se encontra a melhor oportunidade para um pedido de ajuda.
Logo, é imprescindível que o ensino domiciliar deve ser supervisionado para garantir o bem-estar infantil. Então, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Cidadania deve promover visitas aos domicílios, por meio de psicólogos e assistentes pessoais que devem averiguar as condições em que as crianças estão vivendo e garantir que não haja nenhum sinal de abuso. Então, somente assim, poderá ser considerado a liberação do “homeschooling” no Brasil.