Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 25/05/2020

Consoante a Paulo Freire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sendo assim, Freire salientou o papel importante da educação, o que torna válido discutir a questão do ensino domiciliar no Brasil, que teve um substancial crescimento. Nessa lógica, essa modalidade de ensino encontra imbróglios no que tange à desigualdade social e à questão do processo de socialização, que fica ameaçada. Logo, medidas são necessárias para encontrar subterfúgios para sanar essa problemática.

Constata-se, a princípio, que a desigualdade social é um fator que impede a consolidação do ensino domiciliar no Brasil. Rousseau, em sua obra “Contrato Social”, afirmou que a desigualdade social surgiu com base na noção da propriedade privada e na disputa por poder e riquezas entre os indivíduos. Nesse sentido, o ensino em casa enquadra-se com a ideia de Rousseau, uma vez que essa questão implica a necessidade de contratar professores para ensinar as crianças, o que acentua ainda mais a disparidade sociais, já que nem todos têm meios aquisitivos para usufruir desse meio. Desse modo, o ensino domiciliar acabam mutilando a cidadania e consagrando importantes simbologias de poder.

Outrossim, somado ao supracitado, o processo de sociabilização pode ser ameaçado, o que pode  impedir a efetivação do ensino domiciliar. Nesse contexto, o processo de socialização é fundamental para a construção de sociedades, pois é por meio desse processo que os indivíduos interagem e se integram, assimilando hábitos culturais, bem como aprendizado social sobre o mundo. Sendo assim, as escolas são os primeiros contatos que as crianças têm com a sociedade, que, como afirma Émille Durkheim,  a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta. No entanto, muitos pais, por questões de segurança e religiosas, preferem que seus filhos não atendam às escolas convencionais, optando pelo ensino domiciliar, o que pode afetar a socialização dessas crianças.

Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas sejam tomadas para obliterar as questões que impedem a consolidação do ensino domiciliar. Para isso, cabe ao Estado, na figura do Ministério da Educação, permitir que a educação domiciliar seja uma opção para todos, por meio da criação de um programa " Democratizando a Educação, o qual dará todo suporte para famílias que necessitam e preferem o ensino em casa, como a disponibilização de aparelhos eletrônicos e internet, os quais serão usados para aulas online com professores eficientes, a fim de que esse problema seja sanado. Ademais, o Estado deve, ainda, promover o contato social, por meio da realização de encontros sociais realizados mensalmente em espaços públicos com atrações lúdicas, os quais irão promover a socialização e a troca de hábitos entre as crianças, a fim de que Freire esteja certo sobre a educação.