Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 12/05/2020

É inegável que o ensino domiciliar permanece como questão em discussão na sociedade atual. Certamente, uma parcela dos responsáveis que clamam pelo ensino à domicílio são motivados por razões ideológicas, deixando o aprendizado em segundo plano, a escolarização em casa também afeta  a integração e interação social dos jovens em diferentes meios, contribuindo para a obstaculização  do contato com diferentes pessoas e características. Logo, cabe ao Poder Público promover o incentivo ao ensino presencial, promovendo também seu aprimoramento.

É importante pontuar, de início, que o ensino em casa tem como uma parcela expressiva em seus defensores pessoas que creem que a escola pode “doutrinar” os filhos contra os princípios zelados pelos pais . Todavia, assim como argumentava o filósofo iluminista  Rousseau, não é correto retirar as crianças da sociedade com a justificativa de não corrompê-las. Nesse sentido, além de incoerente o fato de privar crianças da educação presencial com justificativas ideológicas, é notório que esse cenário torna propensa a criação de bolhas sociais e culturais restritas , prejudicando, dessa forma, a formação de senso crítico e bagagem cultural profunda para o jovem.

Vale ressaltar, também, que a educação domiciliar dificulta o desenvolvimento de habilidades sociais. Sem dúvidas, isso fica evidente no artigo redigido pela psicóloga e pedagoga Juliane Callegaro Borsa “O papel da escola no processo de socialização infantil”, que demonstra que o domínio de diversos conceitos e princípios relativos a habilidade sociais — de forma que o individuo possa colocá-los em prática — se dá por meio da interação e socialização. Nessa perspectiva, desenvolvimento de um espírito solidário, o aprendizado do trabalho em grupo, o aprimoramento do instinto de liderança, aprender a se relacionar com diferentes pessoas e características, todos esses aspectos que são amplamente trabalhados no âmbito escolar, são restritos no ambiente domiciliar.

Portanto, é notável que o ensino em casa acarreta males à construção sociocultural da criança e do adolescente. Em suma, cabe ao Ministério da Educação promover a criação do Plano Nacional de Incentivo à Educação e Socialização — campanha relativa a aprimorar meios de socialização e educação, instrumentalizando não apenas o convívio em grupo como também atividades educacionais que promovam o desenvolvimento intelectual e comunicativo do jovem — tendo também como objetivo sensibilizar pais e responsáveis em relação a importância da escola na evolução e crescimento do aluno, por meio de campanhas que evidenciem a importância da educação presencial. Somente assim, o desenvolvimento pleno da criança e do adolescente poderá ser instaurado no Brasil.