Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 14/07/2020

Baseada na Declaração Universal de Direitos Humanos, a Constituição Federal de 1988 assegura que é direito de todos e dever do Estado promover o acesso à educação. Contudo, o ensino domiciliar é uma pauta discutida com frequência no Brasil, que tem como fundamento a transferência alternativa de responsabilidade da educação no sistema de ensino padrão para os pais ou tutores. Diante disso, não somente a ausência de socialização dos alunos, como também a indagação na qualidade de aprendizagem em casa configuram-se como desafios dessa questão.

O filósofo grego Aristóteles já declarou  que o homem é um ser social, porque é um animal que precisa de outros membros da espécie. Dado isso, sob a perspectiva filosófica que a socialização é fundamental para o ser humano, nota-se que o ensino domiciliar dificulta esse processo, visto que em casa os alunos não possuem interação com outros estudantes. Desse modo, no que tange à socialização, as instituições de ensino estimulam a realização dos trabalhos em grupo, competência, inclusive, exigida no mercado de trabalho e tem como papel social promover o contato entre indivíduos diferentes, o que gera a adaptação do aluno e torna-o tolerante. Assim, de acordo com essa premissa,  à guisa da ativista Helen Kelller, “O resultado mais sublime da educação é a tolerância”.

Além dessa questão, outro desafio da educação em casa é a qualidade de aprendizagem, levando em consideração os aspectos que concerne à preparação dos pais ou tutores, o tempo disponível por eles para acompanharem as atividades, o cumprimento e a avaliação da grande curricular e os materiais selecionados pelos responsáveis são de fato suficientes para desenvolver as habilidades críticas. Posto isto, evidência-se que tais pontos apresentados interferem no desenvolvimento acadêmico dos alunos e comprometem a aquisição do conhecimento básico.

Diante do exposto, cabe ao Ministério da Tecnologia, Informação e Comunicação desenvolver companhas de conscientização , por meio de propagandas nas mídias sociais que informem a importância da socialização dos estudantes como ferramenta de desenvolvimento promovida nas escolas, com foco no publico de pais e responsáveis dos alunos de ensino básico e médio. Ademais, é dever do Ministério da Educação, junto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, avaliar os obstáculos do ensino nas escolas, por intermédio de um censo nacional que apresente as principais causas da preferência do ensino em casa, a fim de minimizar as deficiências do ensino padrão, melhorar a qualidade nas instituições de ensino e reduzir as opções pelo ensino familiar.