Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 30/05/2020

A educação domiciliar, também denominada “homeschooling”, consiste na provisão da educação principalmente pelos pais, e não pelo Estado. Trata-se de meio alternativo de ensino, que, como é cediço, tem se elevado o número de seus adeptos de maneira significativa no Brasil.

Esse fenômeno pode ser explicado por dois fatores: resultados desfavoráveis do desempenho dos estudantes deste país em testes internacionais e a notória falta de personalização, muitas vezes, das escolas brasileiras na forma de lecionar o conteúdo, isto é, tratamento geralmente uniforme de ensino.

Infelizmente, como mencionado, os estudantes deste país têm obtido resultados insatisfatórios nas avaliações de ensino, o que revela a ineficiência do Brasil em prover educação de qualidade. Nesse cenário, o ensino doméstico se mostra atraente aos interessados em um meio alternativo de educação.

Em que pese a sabida privação dos educandos ao convívio social contínuo que as escolas oferecem, esse importante instrumento de promoção de cidadania e solidariedade pode ser suprido de maneiras distintas, como, por exemplo, a frequência a parques de diversão, a igrejas e mediante a prática de esportes.

Como se não bastasse, a educação familiar, em virtude do menor número de educandos, melhor possibilita a transmissão de ensino de modo personalizado, o que muitas vezes é essencial, porquanto o educador estará mais sensível aos anseios de seus alunos.

Conclui-se, pois, que essa modalidade de ensino pode ser uma alternativa vantajosa, mas, para sua concretização eficaz, exige-se especial atenção do Estado. Isso ocorre porque sua finalidade pode ser, lamentavelmente, desvirtuada para a exploração de trabalho infantil.

Portanto, no objetivo de auxiliar aos educandos desse tipo de ensino, o Estado deve constituir centros de convívio social, evitando eventuais danos por sua ausência. Ademais, exige-se atuação positiva fiscalizatória constante do Estado para verificar se, de fato, a criança ou adolescente está submetido ao ensino, e não a exploração de sua mão de obra.