Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 08/06/2020

No filme “Capitão Fantástico”, a história se passa em uma floresta no norte dos Estados Unidos, em que o pai, o capitão fantástico, educa sozinho seus seis filhos com conteúdos de um ensino regular. Fora das telas, a prática da educação domiciliar é, no Brasil, uma pauta constantemente debatida. A questão esbarra na falta do ambiente escolar na vida dos indivíduos que estudam em casa, uma vez que isso pode acarretar problemas na socialização das crianças.

Mormente, é necessário salientar a questão da importância do meio social para o desenvolvimento, sobretudo, infantil. Nesse sentido, Paulo Freire, pedagogo brasileiro, contribui para a discussão na medida em que afirma a necessidade do ambiente escolar plural, em que os alunos não estão sujeitos apenas aos métodos conteudistas, mas a um lugar que colabora com a construção do conhecimento a partir do estímulo social. Assim, a escola passa a ser o grande potencializador das habilidades das crianças, pois é um ambiente que contribui para moldar a personalidade. Isso, porém, não acontece no ambiente domiciliar por apresentar um local extremamente restrito ao desenvolvimento psicomotor.             Em segundo lugar, o ensino domiciliar deve ser pontuado sob a perspectiva das consequências. Segundo o filósofo alemão Habermas, a ação comunicativa entre os indivíduos é fundamental para as mudanças sociais do mundo, uma vez que, estabelecida a conexão social, as perspectivas individuais podem chegar a um maior esclarecimento por meio do diálogo. Sob esse âmbito, a clareza só é possível quando as pessoas interagem e trocam conhecimentos. No entanto, quando não há um contato social , como no caso dos filhos do “Capitão Fantástico”, ocorre uma dificuldade na socialização.Decorre disso, o aumento do comportamento antissocial, egoísta e etnocêntrico, em que, por não ter acesso a diferentes panoramas de vida, as pessoas tendem a criar um preconceito com as diferenças e minar a empatia necessária para a construção de um mundo melhor. Outrossim, a longo prazo, isso pode prejudicar a vida adulta das crianças e, consequentemente, a entrada no mercado de trabalho, já que as pessoas são submetidas a testes de dinâmica social para demonstrarem aptidão para lidar com outros sujeitos.

.             Destarte, medidas são necessárias para resolver tais impasses.O Ministério da Educação deve redirecionar verbas para as escolas públicas, por meio da inclusão do objetivo na Base de Diretrizes Orçamentárias. Com isso, essas instituições devem promover mais atividades lúdicas com o fito de despertar o interesse pelo ambiente estudantil. Tal ação deve ser feita de modo a haver um aumento da qualidade do ensino plural escolar e o desenvolvimento das habilidades sociais das crianças, sem que seja, enfim, necessário recorrer ao ensino domiciliar.