Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 13/06/2020
Os desafios da substituição da sala de aula pelo estudo domiciliar no Brasil
No Brasil, percebe-se uma crescente onda de pais que, caso amparados por uma lei, optariam por educar seus filhos em casa. Esse fenômeno se dá por vários motivos, sendo dois deles a diminuição dos gastos com escola e o acompanhamento mais próximo do desenvolvimento intelectual desses jovens. No entanto, privar indivíduos que estão em período escolar pode acarretar em um problema futuro de socialização e também na eliminação ou deturpação de determinados conteúdos por questões ideológicas.
Primeiramente, destaca-se que o hábito de se frequentar aulas com mais pessoas é essencial para o amadurecimento psicológico e comportamental de cada cidadão. Isso se dá porque é diante da pluralidade que se aprende a respeitar o próximo, a entender seus próprios limites e direitos. Segundo o site Novos Alunos, ao frequentar o colégio, crianças já na primeira infância têm a oportunidade de se tornarem tolerantes, propiciando a construção de uma sociedade mais inclusiva. Além disso, ter uma rotina e lidar com desafios cotidianos - deveres e conflitos - contribuem para o crescimento pessoal.
Outro ponto a ser analisado, é o fato de que o posicionamento ideológico dos responsáveis pode vir a influenciar negativamente no planejamento pedagógico. O jornal O Globo aponta, por exemplo, que uma obra literária que abordava questões de gênero foi retirada da lista de leitura de uma instituição privada a pedido dos pais, pois o tema não foi visto como adequado para o público do Ensino Fundamental II. Um dos objetivos da educação é expandir o olhar dos estudantes e despertar os senso críticos deles, esse processo só se dá por meio do contato com a diversidade.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse que a educação domiciliar apresenta no Brasil. Sugere-se que o Ministério da Educação, em parceria com as Varas da Infância e da Juventude de cada estado, desenvolvam um programa pedagógico para as famílias que desejam educar seus filhos em casa. Esse projeto seria desenvolvido por professores, que criariam um documento digital dividido por áreas do conhecimento e que apontaria os tópicos que devem ser abordados trimestralmente de acordo com a faixa etária de cada criança ou adolescente. Como forma de fiscalização, os estudantes teriam que prestar provas a cada seis meses. Esses testes seriam aplicados por fiscais nas escolas públicas em um final de semana. Posteriormente, as notas das avaliações estariam disponíveis em um sistema do Governo Federal. Aqueles que não atingissem as médias estabelecidas teriam reuniões com pedagogos e assistentes sociais para verificarem o que poderia ser modificado. Desta forma, seria possível garantir o pleno desenvolvimento intelectual desse público.