Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 23/06/2020

O filme ‘‘O capitão fantástico" aborda, dentre outros aspectos, a vida de uma família que se afasta da civilização e, por conseguinte, as crianças são ensinadas em casa, obtendo resultados acima do esperado. Apesar de ficção, tal obra aponta uma discussão da contemporaneidade, na qual muitos pais optam por não inserir seus filhos em escolas, ensinando-os à domicílio. Nessa égide, essa decisão toma forma, seja pela deficiência educacional das escolas, seja pela preferência ao ensino particular. Por essas razões, faz-se interessante discutir meios de ampliar essa forma de aprendizado.

Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que o investimento governamental no que tange à educação pública, é exíguo. Nesse cenário, muitas famílias preferem ser protagonistas do ensino de seus filhos, passando a acompanhá-los e ajudá-los a ser mais autônomos quanto ao aprendizado. Destarte, essa prática contribui para a formação de indivíduos comprometidos, haja vista que não terão as distrações que teriam em uma instituição escolar. Nesse âmbito, consoante ao ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Sob tal ótica, percebe-se que o ensino, não importa a maneira em que ele se manifesta, é sempre um benefício, sendo responsável não só pela transformação do indivíduo, mas também da vida em sociedade.

Torna-se mister ressaltar, ainda, que muitos pais retiram seus filhos das escolas pelo baixo rendimento que eles apresentam, seja pelas distrações escolares, seja pela dificuldade do aprendizado em conjunto. Nesse viés, o ensino domiciliar realiza um método mais focado no indivíduo, de modo a priorizar o aprendizado particular. Nesse sentido, a família tem um controle acerca do desenvolvimento educacional de seus filhos, os quais poderão aprender nos seus próprios ritmos. Nessa conjectura, sob as perspectivas de Foucault, a sociedade do controle rende corpos mais disciplinados, com mentes focadas na valorização de cidadãos éticos. Nesse diapasão, vê-se o controle parental de educação como uma ferramenta fundamental no processo de desenvolvimento profissional. Logo, medidas devem ser engendradas para legitimar o ensino domiciliar.

Diante do olhar físico de Isaac Newton, um corpo só é capaz de sair da inércia se uma força lhe for aplicada. Portanto, urge que o Poder Público realize o devido investimento na educação autônoma, por meio da criação de núcleos educacionais cujos indivíduos possam prestar exames de conclusão de cada série letiva, não precisando do supletivo para tal fechamento, com o fito de obter cidadãos com sucesso profissional. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo realize a legalização do ensino domiciliar, por meio da criação de leis que oficializem essa forma de ensino , objetivando a legalidade dessa prática. Assim, os resultados acima do esperado não ocorrerão apenas em filmes.