Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 28/06/2020

Segundo o filósofo John Locke, o indivíduo nasce sem criticidade e, ao longo dos anos, molda seu futuro através da vivência. Conquanto, experiências irregulares de ensino domiciliar limitam os conhecimentos do indivíduo, sendo necessário atuações pertinentes do Estado para a devida solução dessa problemática, que envolve a esfera de socialização dos indivíduos e o campo ineficaz dos sistemas educacionais regidos por agentes domiciliares.

Precipuamente, destaca-se a importância da socialização no âmbito escolar. Apesar da notável importância da família, o ambiente colegial, segundo o sociólogo Durkheim, é um fato social, devendo ser garantido à sociedade como forma de melhor adaptação à instrução acadêmica e, além disso, como forma de intercâmbio de ideias e opiniões que agregam ao caráter e à personalidade do ser. A devida propagação da importância escolar é de interesse governamental, uma vez que seus melhores resultados qualificam profissionais mais capacitados, evitando a defasagem de instruções familiares.

Ademais, evidencia-se a inadequação do ensino em casa; o filme “Capitão Fantástico” oferece a perspectiva da instrução domiciliar em que o pai, desacreditado no tradicionalismo educacional, leciona seus filhos por meio de alguns poucos livros de sua biblioteca, que são considerados como essenciais pela figura paterna. Fora da ficção, evidencia-se a falta de mecanismos reguladores desta forma de ensino e de pesquisas que comprovem a eficácia domiciliar, uma vez que docentes especializados nos componentes curriculares são preteridos a tutores que, em muitas ocasiões, não possuem qualificação profissional e tampouco aparatos adequados ao ensino de qualidade.

Infere-se, portanto, a necessidade de atuação estatal na promoção das atividades escolares e na regulação do ensino domiciliar. É fulcral a adoção de campanhas publicitárias, em redes televisivas e sociais, por mediação e subsídio do Ministério da Educação, assegurando o direito a este fato social e à melhor instrução educacional. O mesmo ministério, por sua vez, deve submeter tutores e alunos do ensino domiciliar a testes anuais e fiscalizações mensais dos componentes curriculares lecionados, a fim de regular sua eficiência e garantir formações educacionais sólidas aos alunos. Dessarte, prover-se-à o ensino de qualidade aos jovens e impedir-se-à iniciativas inadequadas na esfera domiciliar, promovendo o pleno exercício das ideias de Durkheim.