Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 09/10/2020
A política aristotélica admite que tanto a família quanto Estado têm dever de instruir um indivíduo com vistas a desenvolvê-lo democraticamente. Com isso, hodiernamente, tem-se discutido novas formas de instruções pedagógicas cuja iniciativa é prioritariamente dos núcleos familiares, o que apesar de estar respaldada na liberdade individual, contrapõe a essência da formação cidadã e oferece embargos à padronização da ciência.
Decerto, a ausência do processo na fase precursora da formação de um indivíduo corrobora a intolerância, uma vez que ele se torna incapaz de deglutir perspectivas diversificadas. Desse modo, o homem que deixa de alimentar sua natureza social, cuja essencialidade inferida pelo sociólogo, Karl Marx, em seu discurso “o homem é um ser social”, converte-se em um ser sem consciência social, e, sobretudo democrática. Por conseguinte, obtém-se uma sociedade estável e objetora ao agir comunicativo que de acordo com Habermas, sociólogo expoente, é a pedra angular do consenso social.
Outrossim, os valores familiares religiosos podem sobrepor-se ao saber científico padronizado. À vista disso, segundo estimativa divulgada pela ANED (Associação Nacional de Educação Domiciliar) parte das famílias que aderem à centralização educacional discordam do ensino preconizado pelo Estado por motivos religiosos. Com efeito, é visível que as motivações para um ensino ministrado exclusivamente por familiares têm regimentos religiosos e intolerante, o que acarreta empecilhos à padronização do saber científico, além de dificultar a descontar construção de axiomas que podem ser maléficos para a vida social.
Em síntese, depreende-se que para exercer o papel como instrutor de um indivíduo, é imprescindível seguir parâmetros democráticos e científicos, no intuito de moldar um homem social. Portanto, ao Ministério da Educação cabe regulamentar os conteúdos ministrados na centralização educacional, bem como oferecer uma alternativa que supra a necessidade de socialização por intermédio de um local - disponibilizado duas duas vezes por semana exclusivamente para conversação, em concomitância com avaliação de um pedagogo indicado pelo Estado, com a finalidade de diagnosticar a evolução intelectual e social do indivíduo ponto. Com isso, o “Homem Social” gozará completamente de sua consciência democrática e exercerá o agir comunicativo com plenitude.