Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Na série de livros “Harry Potter”, Hogwarts é uma escola em que os alunos passam o ano inteiro com seus colegas e professores, permitindo um intercâmbio de culturas e informações. Sob perspectiva adversa, no limiar do século XXI, o ensino domiciliar é um contraproducente para o processo de aprendizagem e para o desenvolvimento interpessoal dos estudantes brasileiros. Observa-se, pois, a premência de estratégias para garantir uma educação de qualidade nas escolas.

Em primeira instância, consoante ao pensamento de Locke, o homem nasce como uma folha em branco que vai sendo preenchida ao longo do tempo pelos seus conhecimentos. Analogamente, as crianças e os jovens necessitam de uma aprendizagem interativa e com visões de mundo diversificadas para preencher suas folhas. Nesse sentido, aulas presenciais, com professores graduados e colegas de idades semelhantes são fundamentais para o desenvolvimento social dos indivíduos. Além disso, a aliança com o excesso de tecnologia no “homeschooling” pode gerar problemas cognitivos e retração social. Logo, é inegável que o ensino domiciliar é incapaz de suprir as necessidades sociais e intelectuais para o desenvolvimento humano.

Sob esse prisma, a Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada pela ONU em 1948 - afirma que a educação é um direito universal e basilar. Em contrapartida, esse direito encontra-se ameaçado pela disseminação do ensino domiciliar. Nessa perspectiva, a escassez de conexões, proporcionadas pelos diferentes ambientes e pessoas, compromete a memorização a longo prazo dos aprendizados. Ademais, os pais não foram treinados para ensinar matérias específicas e para dominar métodos pedagógicos, podendo monopolizar ideologias nas aulas e afetar a saúde mental dos filhos. Desse modo, é notório que a variabilidade de locais, pessoas e profissionais adequados fazem parte do processo de obtenção de conhecimentos.

Diante dos fatos supracitados, infere-se que o ensino domiciliar compromete o desempenho sociointelectual das crianças e dos jovens no Brasil. Desse modo, é imperioso que o Ministério da Educação promova seminários educativos, em suas plataformas digitais, por meio de palestras e debates, com pedagogos e professores, acerca dos entraves da educação domiciliar, a fim de consolidar as aulas escolares e garantir a educação universalmente. Destarte, a sociedade brasileira poderá alcançar o ideal do processo de aprendizagem social, emocional, intelectual e cultural.