Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 25/11/2020
A obra cinematográfica “Capitão Fantástico”, vencedora de um Oscar em 2017, retrata a história de uma brilhante educação residencial familiar, ao passo que retrata crianças instruídas pelos pais por meio de livros obtendo senso crítico maior que os menores ensinados convencionalmente. Analogamente, fora das telas, o ensino residencial pode emblematizar tamanhos benefícios à realidade nacional. No entanto, seja para a verificação da sua eficácia pedagógica ou para garantir a socialização dos jovens, a nova proposta educacional convém ser analisada e, por isso, carece de atenções.
Previamente, é relevante salientar a massante rotina do arcaico modelo instrucional. Nesse viés, desde que as escolas disseminaram-se, no século XIX, seu modelo fordista de regras engessadas não foram alterados. Dessa forma, os alunos frequentemente interpretam os centros de ensino como uma obrigação diária, isenta de caráter instrucional. Assim, a terceirização da aquisição de conhecimentos para as residências é instituída, o que corrobora para o crescimento anual da busca por educação domiciliar, que chegou a sete por cento nos Estados Unidos, segundo o Nacional Center for Education Statistics. No entanto, de acordo com o filósofo Montesquieu, a divisão de poderes é extremamente necessária para evitar o abuso de autoridade. Desse modo, promover um controle do processo pelo governo é essencial para evitar que os pais não lecionem os conteúdos certos e deturpem o ensino.
Ademais, o pleno amadurecimento afetivo é de suma importância no desenvolvimento infantil, sendo a escola uma facilitadora ou um impasse nessa construção. Indo de encontro ao pensamento de Pierre Bourdieu, os centros educacionais configuram-se como mecanismos de poder, podendo até mesmo os professores serem opressores de um aluno. Dessa maneira, a educação residencial combateria casos de bullying e agressões. No entanto, o próprio filme vencedor do Oscar elucidou os entraves da falta de socialização no ensino domiciliar, ao passo que encenou os jovens praticantes sem capacidades comunicativas pelo isolamento. Logo, inserir atividades sociais no ensino autônomo faz-se mister.
Portanto, ações são indispensáveis no objetivo de possibilitar uma educação residencial de qualidade. Nesse sentido, a instituição de testes obrigatórios semestrais para a comprovação da aprendizagem de conteúdos, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é fundamental a fim de assegurar uma educação efetiva. Para isso, saladas de aulas públicas serviriam de ambiente para as aplicações. Outrossim, garantir o comprometimento dos progenitores em matricular os menores educados residencialmente em esportes, por intermédio de um contrato entre os pais e o Ministério da Educação e Cultura, é crucial no intuito de gerar a socialização dos pequenos. Apenas assim casos como os de “Capitão Fantástico” poderão ser comuns na perspectiva brasileira.