Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 01/12/2020

A obra cinematográfica “Capitão Fantástico”, vencedora de um Oscar em 2017, retrata um brilhante caso de educação residencial baseado em leituras ativas. Dessa forma, por serem instigados a debaterem no núcleo familiar sobre o aprendido, os menores da película atingiam criticidade maior que os pequenos ensinados tradicionalmente. Analogamente, fora das telas, o ensino doméstico pode emblematizar tamanha autonomia e capacidade cognitiva aos estudantes. Entretanto, seja pela incipiente legislação vigorada ou pelos riscos de falha no processo de formação, a nova metodologia instrucional carece ser melhor analisada e, por isso, requer cuidados.

Previamente, é necessário salientar a ausência de parâmetros governamentais para o lecionamento autônomo. À medida que não há matérias obrigatórias para a educação domiciliar, a possibilidade de burlamento de disciplinas pelos responsáveis é alarmada. Assim, o projeto de “educação libertadora”, proposto pelo professor Paulo Freire, seria deturpado, ao passo que os aprendizes poderiam ser restringidos do acesso à múltiplos conhecimentos. Prova disso é a pesquisa do site EducaMundo, que revela um dos primordiais motivos para a busca do ensino residencial ser a discordância do método científico. Desse modo, para não tolher a criticidade dos estudantes, medidas estatais são essenciais.

Ademais, o ambiente instrucional oferece benefícios além da educação formal, sendo fundamental respalda-los no ensino residencial também. De acordo com o sociólogo Èmile Durkheim, os centros educativos caracterizam-se como instituições sociais capacitadoras para a vida pública. Dessa maneira, conforme a criança frequenta a escola, sua habilidade para o dialogo no futuro é fortificada. No entanto, observa-se na contemporaneidade as escolas como espaços de conflito, onde a violência não é punida pelo excesso de alunos. Sob essa ótica, a formação doméstica evitaria os alarmados índices de bullying atuais, que ultrapassam 50% estudantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa. Logo, verifica-se que atentar-se para a forma como a socialização é realizada faz-se imperioso.

Portanto, ações são cruciais para possibilitar um ensino domiciliar majestoso aos cidadãos nacionais. Nesse viés, a criação de uma Base Nacional Comum Curricular para o lecionamento residencial, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é mister a fim de evitar a alienação infantil. Para isso, o Ministério da Educação e Cultura ficaria responsável por determinar os conteúdos indispensáveis. Outrossim, a instituir matrícula do estudante em um esporte, por intermédio da obrigatoriedade de assinatura de um termo de compromisso pelos os pais e a Secretaria Nacional de Educação, é fundamental a fim de garantir a socialização. Assim, casos como os de “Capitão Fantástico” serão normalizados na sociedade brasileira.