Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Em 2018, uma das promessas de campanha do então candidato à presidência, Jair Bolsonaro era a regulamentação do ensino domiciliar. A defesa dessa pauta, muitas vezes, está relacionada com a concepção equívoca de que a escola é um mero ambiente de aquisição de saber formal e que os professores podem ser facilmente substituídos. No entanto, isso não se faz verdade, visto que o colégio é também um importante lugar de socialização das crianças e os docentes são qualificados especificamente para lecionar.

A princípio, cabe analisar que a substituição do ensino formal pelo ensino domiciliar pode prejudicar o processo de socialização dos infantes. Nesse sentido, é válido ressaltar que a escola não é destinada apenas à aquisição de conteúdos técnicos, o contato com pessoas diversas nesse ambiente, é de extrema importância para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a empatia, tolerância e respeito à diversidade. Essas qualidades dificilmente seriam desenvolvidas no ambiente doméstico em que o contato com a diversidade é restrito, favorecendo a formação de indivíduos autocentrados e intolerantes.

Além disso, é válido salientar que a ausência do professor pode prejudicar o processo de aprendizagem conduzido no ambiente doméstico. Isso porque muitos familiares que optam pela educação domiciliar não possuem formação na área educacional e acreditam que ensinar é apenas transmitir conteúdos. Isso se mostra equívoco quando se analisa a teoria do renomado pedagogo Paulo Freire, o qual defende que ensinar não é apenas transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria construção. Dessa forma, crianças educadas em casa irão carecer de recursos para que possam construir uma aprendizagem autônoma, visto que seus familiares não são capacitados para tal.

Infere-se, portanto, que o ensino domiciliar, na maioria das vezes, não é capaz de suprir os aprendizados da escola. Visando alertar a população dos benefícios da educação formal em detrimento do ensino doméstico, a mídia em parceria com o conselho federal de educadores e pedagogos, deve promover campanhas informativas que ressaltem os proveitos da vivência escolar, por meio de propagandas televisivas. Essas devem fazer uso de uma linguagem apelativa e serem transmitidas em horário nobre de canais abertos. Assim, é esperado que mediante a informação, os pais reflitam com muita cautela antes de optar pela educação doméstica.