Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 06/01/2021
O documentário ‘‘Pro Dia Nascer Feliz’’ aborda a discrepância entre a realidade de estudantes das zonas nobres e periféricas do Brasil. Nesse viés, é notável que a educação domiciliar não será uma política viável no país, já que alguns alunos não possuem familiares aptos a ensina-los e, inclusive, esse método poderia prejudicar a cidadania civil. Logo, é preciso melhorar o ensino atual antes de cogitar o uso da educação residencial.
Nessa perspectiva, deve-se pontuar que é insustentável permitir o ensino doméstico em um contexto nacional defasado educacionalmente, visto que boa parte da população não está em condições de ministrar aulas de qualidade. Afinal, conforme o site G1, cerca de 30% dos brasileiros adultos são analfabetos funcionais, isto é, não possuem eficiência mínima em leitura e cálculo, fato esse, que demonstra a inviabilidade da modalidade domiciliar para muitos estudantes. Portanto, primeiramente, é urgente que esse índice reduza para que, futuramente, seja possível ensinar em casa.
Além disso, vale ressaltar que, análogo ao pensamento de Durkheim, a escola é o segundo mecanismo de construção da cidadania, haja vista o potencial de sociabilidade que esse âmbito possui. A esse respeito, com a modalidade da educação residencial, o mecanismo citado pelo sociólogo seria rompido e afetaria diretamente a formação da identidade dos jovens. Desse modo, estudantes perderiam o privilégio de socializar, como praticar trabalhos em grupo e gincanas escolares. Em suma, para ser permitida a educação domiciliar é preciso garantir que haja socialização nesse método.
Concluí-se, então, que uma solução plausível para proporcionar o ensino doméstico será a criação do projeto ‘‘Cidadania Presente’’ pelo Ministério da Educação. Posto isso, por meio de verbas federais, será criado o quarto ano do ensino médio nas escolas do país. Diante disso, professores vão atuar com aulas específicas para redução do analfabetismo funcional, a fim de formar, de fato, cidadãos instruidos. Ademais, o Poder Legislativo deve propor leis que incluam mecanismos de socialização no ensino doméstico. Assim, posteriormente, essa modalidade educacional será tangível.