Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Segundo John Locke, o indivíduo nasce como uma folha de papel em branco, de modo que as experiências são responáveis pela construção cidadã do sujeito. Nese viés, as escolas- berços das cidadania - ganham relevância, uma vez que possuem o potencial de contribuir para a formação crítica do aluno. Por outro lado, o Brasil negligencia a concretização desse direito universal, de forma que as famílias brasileiras buscam substituir os centros de ensino pela educação domiciliar. Logo, são necessárias mudanças a fim de aperfeiçoar as escolas públicas para que não haja a predominação do homeschooling - seja combatendo a corrupção política, seja modificando a grade de ensino.
Isto posto, é preciso ressaltar os prejuízos oriundos do individualismo nos órgãos públicos, os quais são responsáveis pela garantia dos direitos previstos pela Magna Carta. Nesse cenário, em conformidade com o jurista Raymundo Faoro, a prevalência de interesses privados no cenário político prejudica a real função do Estado: fortificar a democracia. Desse modo, os “Donos do Poder” não trabalham em prol de melhorias sociais e não cuprem as obrigações estatais, como ocoore com os casos de corrupção que assolam a esfera educacional. Por conta disso, as famílias buscam alternativas, sobretudo o homeschooling, para superarem a ausência estatal, prejudicando, assim, a supremacia da Constituição Federal. É evidente, então, a necessidade de um cenário político honesto para garantir a educação pública de qualidade.
Ademais, é necessário pontuar a importância de modificar o atual modelo educação para amenizar os índices de evasão escolar. Nesse contexto, a “Escola Cidadã”, defendida pelo patrono da educação, não é valorizada, visto que as instituições negam o senso crítico e a voz do educando em sala de aula, o que prejudica o potencial das escolas na formação do sujeito. Conjuntamente, as escolas não priorizam o desenvolvimento de habilidades essenciais para o mercado de trabalho, como a alfabetização financeira, de maneira que as matérias transmitidas não despertam o engenho do aluno . Em suma, é indubtável a particularidade do cenário escolar no desenvolvimento do indíviduo.
Portanto, são necessárias mediações na esfera educacional para fortificar a ideia defendida pelo filósofo empirista. Para isso, o Ministério da Educação, a partir da mobilização do terceiro setor, deve alterar a grade escolar em função de valorizar o ensino das Ciências Humanas, da oratória, da leitura e da alfabetização financeira para amenizar a insatisfação familiar com a educação brasileira. Paralelamente, o Governo Federal deve criar empresa júnior desde o ensino médio e incentivar o empreededorismo nesse ambiente, de maneira a desenvolver novas habilidades. Dessa forma, tal problemática irá, gradualmente, amenizar-se, prevalecendo, por fim, a Constituição Federal.