Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

A Constituição Federal respalda que é dever do Estado, em acordo com os centros estudantis, oferecer educação a todos os cidadãos. Contudo, esse artigo é ferido com o crescimento do ensino domiciliar, que oferece uma instrução vaga aos alunos e afeta várias áreas do conhecimento. Como, a título de exemplo, a formação da capacidade socioemocional, a qual é possibilitada por meio do contato com diferentes pessoas e impedida pelo modelo supracitado, e a inserção no mundo do trabalho, que é complicada por esse modelo defasado. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar da criação da Ministério da Educação (MEC), em 1930 por Getúlio Vargas, o qual colocou sobre sua incumbência o ensino socioeducativo. Entretanto, com a docência domiciliar, o discente não adquire as habilidades socioemocionais, como as ideias de coletividade e cooperação, alcançada por meio da convivência com distintas culturas e realidades, e mantem-se em uma bolha social, o que impede a consolidação do senso crítico. No filme norte-americano Capitão Fantástico, conta história de dois pais que decidem educar seus filhos em casa, longe da civilização e da proximidade com outras pessoas, e a dificuldade da inserção delas quando mudam-se para cidade, mostrando como a ficção imita a realidade.

Outrossim, de acordo com a sociologia, a socialização secundária permite que os indivíduos fortaleçam as relações sociais. Desse modo, sem uma instrução íntegra, dotada de habilidades emocionais e cognitivas, fornecidas pela escola, a inserção no mercado de trabalho é dificultada, uma vez que o mundo profissional exige, além de qualificação e preparo, capacidades emocionais para lidar com o cotidiano laboral, tendo, assim, um aprendizado incompleto, já que o homem aquilo que educação faz dele, segundo filósofo o Immanuel Kant. Conforme pesquisa feita pelo G1, especialistas afirmam que o “homescooling” prejudica diretamente as crianças vulneráveis, devido à falta de socialização, o qual evidencia que quando aprendizado incompleto é regra, a instrução efetiva é exceção.

Por conseguinte, cabe ao MEC, em parceria com a mídia, a divulgação de campanhas e propagandas, no rádio e na televisão, mostrando os dados negativos desse molde residencial e o que causa nos jovens quando submetidos a esse modelo e como presencial ajuda na formação de capacidades sociais, a fim de desestimular o “homescooling”, e incentivar ao tradicional. E só assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir os casos de ensino domiciliar e fazer valer a Carta Magna de 1988.