Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 01/05/2021

A educação de qualidade é assegurada pela Constituição de 1988, como um direito civil da população brasileira. Contudo, apesar da escola ainda ser a regra na sociedade nacional, os defensores do ensino domiciliar têm aumentado, e com isso o debate sobre a inserção de tal prática no país deve ser debatido.Nesse ínterim,o risco da falta de socialização das crianças e jovens,em conjunto à importância do ambiente escolar para formação do indivíduo, se configuram como problemáticas para tal questão.

Convém ressaltar, a princípio, que o primeiro contato com diferentes pessoas e personalidades que uma criança possui ocorre na escola, logo, é nesse ambiente que o convívio social amplo e múltiplo começa ser estabelecido e desenvolvido. Haja vista uma pesquisa realizada pelo jornal Isto é, em que a Síndrome da Gaiola tem sido observada em alguns jovens, no período de pandemia de coronavírus em 2021. Visto que tal síndrome, se caracteriza por conta da falta de disposição dos jovens em voltar às aulas presenciais, mesmo que permitido.Em virtude, provavelmente, da escola ser um ambiente plural em que a socialização pode ser um desafio e, em contrapartida, o ensino EAD pode causar uma sensação de conforto social para os indivíduos. Desse modo, com o intuito de cumprir a ética de Immanuel Kant, que tem como objetivo o bem-estar da coletividade, o ensino domiciliar não pode se caracterizar como um empecilho para o desenvolvimento socioeducacional do público infantojuvenil.

Ademais, o ambiente escolar tem extrema importância por apresentar indivíduos profissionalizados, para lidar e educar os alunos de forma séria e laica. Em contrapartida, na Idade Média o ensino era restrito somente para o Clero, e os livros e estudos não eram amplamente utilizados por não compartilhar das mesmas ideias que a Igreja.Analogamente, conforme dados da Associação Nacional de Educação Domiciliar, parte das pessoas adeptas a tal ensino, discordam do modelo educacional das escolas por motivos religiosos. Portanto, se a educação domiciliar realizada pelos familiares ocorrer de forma pessoal e doutrinada, a diversidade de mentalidade e a ampliação de diferentes perspectivas para esse aluno será prejudicada, o que se caracteriza numa perda do desenvolvimento sociopolítico.

Em suma, é imprescindível a análise e a resolução de tais problemas antes do ensino domiciliar ser oficial no Brasil. Dessa forma, o Ministério da Educação, juntamente com governos estaduais, deve promover o incentivo à socialização, além do acompanhamento pedagógico desses alunos, por meio da inserção de tais indivíduos em aulas de esportes e de línguas estrangeiras com pessoas da mesma idade, e através da realização de provas anuais para confirmar o nível de aprendizado. Assim, com o intuito de estabelecer um convívio social múltiplo para as crianças e jovens inseridas em tal contexto, e também ter o seu ensino de qualidade garantido.