Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 22/06/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de quaisquer formas de empecilhos sociais, por meio de uma comparação com sua precária realidade inglesa do século XIX. Analogamente, o cenário brasileiro hodierno é semelhante ao de More, pois a educação domiciliar ainda não é presente na conjuntura atual. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação dessa ausência para que haja o uso dos benefícios da educação domiciliar: uma nova alternativa frente as precárias metodologias escolares e a fuga de problemas sociais.

É de crucial importância, de início, analisar o teórico papel das escolas de formar valores para os indivíduos se inserirem na sociedade. Dessa forma, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, entendia que as metodologias escolares atuais são arcaicas, o que tornam os jovens despreparados ao mundo hodierno. Ocorre que essa arcaicidade é devido à predominância de métodos voltados ao ingresso nas faculdades em detrimento da formação de valores ímpares. Nesse sentido, é nítido a importância da educação domiciliar como nova alternativa de educação, visto que os responsáveis dos jovens, sob monitoramento do Ministério da Educação, iriam ensinar não só os conteúdos da atual grade curricular, mas também os valores em falta nas escolas arcaicas.

Outrossim, convém ressaltar a teoria da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual diz respeito à banalização de problemáticas sociais e sua consequente naturalização. Dessa maneira, o contexto atual da naturalização de problemas sociais, sendo latentes nas escolas, como o bullying, relaciona-se com a teoria de Hannah. Essa realidade é grave justamente porque ocasiona a banalização dessas lastimáveis práticas sem a devida intervenção das escolas, o que potencializa problemas psicológicos nas vítimas, a exemplo da depressão e da ansiedade. Então, evidencia-se a fulcralidade da educação domiciliar como fuga desses problemas banalizados nas escolas, a qual os responsáveis são guiados pelo MEC para ter um ensino eficiente dentro de casa.

Urge, por conseguinte, a atuação do Ministério da Educação para promover projetos públicos, por intermédio de campanhas publicitárias que propaguem a nova modalidade de educação: a domiciliar. Tal ação seria efetivada a partir das redes televisivas, em horários nobres, tendo o fito de proporcionar, aos jovens e aos responsáveis, uma ampliação das alternativas de educação e, destarte, permitir que eles optem pela mais adequada. Nesse ínterim, com o maior engajamento na educação domiciliar, haveria a fuga dos casos de bullying e seus efeitos e da arcaicidade escolar.