Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 16/08/2021
No filme “Capitão Fantástico”, o personagem Ben vive longe da civilização, no meio da floresta, e educa seus filhos em casa. Devido a atual pandemia do Coronavírus e o isolamento social obrigatório, escolas do mundo todo tiveram que se adequar por meio da implantação da educação domiciliar, tema discutido no filme. Embora o “Homeschooling” - estudo em casa - tente suprimir o papel da escola de forma provisória, tal modalidade não garante qualidade de ensino para todos. Sob essa perspectiva, impasses como a atenuação do pensamento crítico, bem como a geração de desigualdades fomentam a problemática e, por conseguinte, o tema se torna de importante discussão.
De acordo com o filósofo Aristóteles, o homem é um animal social. Nessa lógica, a convivência social com grupos variados e a interação com opiniões diferentes proporcionada pelo ambiente escolar é de grande importância, uma vez que se começa a lidar com o contraditório e isso é fundamental para a formação da criticidade e autonomia intelectual. Desse modo, é evidente que a prática do ensino domiciliar corrobora para a privação da experiência de vida e de socialização que só a escola oferece aos estudantes.
Ademais, também segundo Aristóteles, devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade. De forma análoga, a prática do “Homeschooling” é injusta, de modo que apenas famílias com maior poder aquisitivo poderiam optar por esse formato de ensino, já que ela pressupõe disponibilidade dos responsáveis para guiar os estudos em casa e condições financeiras para bancar professores particulares. Com isso, percebe-se que o fato de apenas uma elite ter a opção de não enviar seus filhos à escola corrobora para o aumento da desigualdade social e intelectual.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolução da problemática. Para tanto, sabendo que a maioria dos estudantes brasileiros faz parte das camadas médias e baixas que, muitas vezes, não possui acesso à internet, caberá ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas de ensino fundamental e médio de todo país, oferecer material impresso aos alunos, com teorias exercícios de cada disciplina. As apostilas deverão ser retiradas, uma vez por semana, na instituição de ensino a qual pertence o aluno, já que o ensino à distância e domiciliar não supre as necessidades fundamentais de formação do aluno e não é acessível a todos. Assim, promove-se uma melhoria no problema de modo coletivo e não apenas para uma parcela da população.