Ensino domiciliar em questão no Brasil
Enviada em 23/09/2021
O “homeschooling” ou ensino domiciliar consiste em um formato educacional no qual o aluno estuda sem frequentar uma escola regular. Tal prática tem sido debatida a muito tempo e ficou ainda mais em evidência quando, em 2021, a família de Elisa de Oliveira, adolescente que havia estudado em casa, entrou com processo na justiça para que essa pudesse cursar um ensino superior. Isso porque a prática ainda não é totalmente aceita no Brasil. No entanto, dois pontos precisam ser analisados, pois sabe-se que a educação brasileira é precária, o que faz com que muitos sejam a favor da prática, mas, em contra partida, a escola proporciona a vivência com a diversidade, a qual é necessária para a formação de todos os indivíduos.
De início, cabe ressaltar que o método tradicional utilizado na educação brasileira é ultrapassado e ineficaz. Nesse sentido, o educador brasileiro, Paulo Freire, a nomeia como “educação bancária”, visto que é baseada, majoritariamente, no depósito de conhecimentos de maneira passiva e sem criticidade. Além disso, dados do IBGE, demonstram que apenas 35% dos estudantes de rede pública entram em uma faculdade, o que confirma a insuficiência do ensino e expõe a negligência estatal diante da educação dos brasileiros. Portanto, diante dessa realidade, os pais que tivessem condições deveriam poder escolher sobre a educação de seus filhos, visto que o Estado não cumpre seu papel.
Por outro lado, com o homeschooling, as crianças estariam mais dentro de casa e não teriam o ambiente escolar como um meio de socialização, o que poderia afetar a saúde mental e a percepção de mundo dessas. No filme " Capitão Fantástico", um pai opta por ensinar seus filhos, de modo a priorizar as ciências, assim como o senso crítico, mas, as crianças ao ter contato com outras pessoas, apresentam dificuldade de socialização. Assim, o filme mostra que a falta de socialização e convivência é o principal problema que permeia o ensino domiciliar. Por isso, para que a educação em casa seja uma opção, o Estado deve informar os adeptos da prática sobre os cuidados necessários a fim de um ensino saudável em casa.
Diante disso, é necessário que algo seja feito para que um equilíbrio na sociedade seja alcançado. Então, o Estado deve deixar que os pais possam escolher o destino educacional de seus filhos, por meio de um projeto de lei a ser entregue à câmara dos deputado que garanta esse direito. Além disso, os pais que optarem por essa modalidade deverão receber instruções do Ministério da educação, assim como materiais didáticos gratuitos. Para mais, o Governo Federal deve investir mais na infraestrutura das escolas e proporcionar uma reforma de ensino eficaz. É esperado, com essas medidas, que a educação seja eficiente de ambas as formas, independente da forma escolhida.