Ensino domiciliar em questão no Brasil

Enviada em 06/09/2022

O filme americano “Extraordinário” aborda a difícil adaptação escolar de Auggie, um garoto de 10 anos com uma deformidade no rosto que durante muito tempo foi educado em casa, pela sua mãe. Semelhante a essa realidade, ao se discutir a implementação do ensino domiciliar no Brasil, é fundamental destacar a ausência de engajamento familiar durante a vida acadêmica juvenil e a importância do ambiente escolar como lugar de interação e integração social como entraves para a legalização dessa modalidade de ensino.

Nesse contexto, é importante pontuar a negligência familiar durante o período acadêmico de crianças e adolescentes. A respeito disso, o célebre sociólogo Zygmunt Bauman, com sua teoria da Instituição Zumbi, mostra que algumas instituições, a exemplo da família, apesar de existirem, não desempenham sua função social. Sob essa perspectiva, o conceito do pensador reflete a realidade brasileira, uma vez que o ambiente doméstico, que deveria ser um parceiro na aprendizagem do educando, mostra-se displicente, visto que muitos pais e responsáveis não dedicam tempo necessário nesse auxílio educacional.

Além disso, a importância do ambiente escolar para socialização e integração atua como coadjuvante na questão. De acordo com a reportagem do site G1, entre os 4 e 8 anos as crianças estão no melhor momento para socializar. Desse modo, o ambiente escolar ganha ainda mais importância, visto que ao construir suas relações, a criança se depara com situações, envolvendo diversas pessoas e experiências, fazendo assim com que ela amplie cada vez mais sua visão de mundo, não ficando restrita ao círculo social de seus pais e de sua realidade.

Logo, entende-se que é necessário reconhecer os desafios que a implementação do ensino domiciliar enfrenta no nosso país. Nesse sentido, o Ministério da educação, responsável por todo o sistema educacional brasileiro,ao legalizar essa modalidade de ensino, deve implementar centros de fiscalização educacional, os quais, periodicamente, por meio de profissionais da educação e psicólogos, avaliem crianças e adolescentes submetidas a essa modalidade de ensino. Essa iniciativa tem a finalidade de garantir o melhor desenvolvimento da criança e do adolescente, sem comprometer o presente nem o futuro.