Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil
Enviada em 16/10/2019
No século XVIII, no Brasil, havia um sistema educacional voltado para o interesse das elites dominantes, o qual restringia a ascensão social dos mais pobres. Analogamente, na Carta Magna de 1988, foi garantido o direito universal à educação, ou seja, ela ganhou um caráter dissociado do poder aquisitivo, e, portanto, disponível para todos os brasileiros. Outrossim, como uma forma de oferecer alternativas equitativas - de acordo com o conceito de John Rawls - foi criado o ensino técnico. Entretanto, mesmo trazendo benefícios, como a reinserção de menores infratores na sociedade, é notável que a falta de infraestrutura adequada afeta o cumprimento dos objetivos desse projeto.
A priori, o conceito de equidade do filósofo John Rawls pode ser compreendido ao observar o objetivo da implementação do ensino técnico no Brasil. Nesse ínterim, é entendido por ele que é preciso oferecer oportunidades personalizadas para aqueles a quem elas não foram socialmente garantidas. A saber, a educação profissionalizante cumpre um papel social importante ao fornecer aos menores acolhidos em casas de apoio - conhecidas como reformatórios - uma nova opção de vida, dissociada do crime. Além disso, a crise econômica deu incentivo ao crescimento dos Institutos Federais e Escolas Técnicas, pois requeria o aprimoramento profissional dos jovens, os quais entrariam no mercado profissional como mão de obra qualificada, fomentando, assim, a economia brasileira, e melhorando a qualidade de vida dessas pessoas.
Por outro lado, para que ocorra a realização plena desses objetivos, é necessário resolver os problemas enfrentados por esse sistema de ensino. Em consonância, o sociólogo Marx Weber interpreta a evasão escolar como resultado de uma mentalidade herdada do capitalismo e injetada no proletariado, o qual vê o trabalho como única solução para a manutenção da vida, e o estudo como um benefício para os mais afortunados, por ele não apresentar resultados imediatos de lucro. Similarmente, devido à falta de infraestrutura em muitas escolas técnicas, como exemplo, a falta de luvas e toucas para aulas práticas, o aprendizado sai defasado e não cumpre as expectativas do mercado. Fazendo com que não haja um interesse de adesão dos que mais precisam, e aumentando, dessa forma, o índice de abandono escolar.
É imprescindível, portanto, a aplicação plena do conceito de equidade de John Ralws, e para isso, precisa-se da atuação do Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, ao redirecionar verbas para o investimento na infraestrutura da educação técnica, com projetos que visem estabelecer uma prioridade desse redirecionamento tendo em vista outras pautas, para que, desse modo, o ensino profissionalizante seja visto como uma alternativa positiva de melhoria na qualidade de vida para todos.