Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil

Enviada em 18/10/2019

A partir de 1930, com a representação do presidente Getúlio Vargas, o qual objetivava a emancipação do ensino e o estímulo ao mercado de trabalho, o número de escolas técnicas, no Brasil, foi ampliado. No contexto hodierno, contudo, devido à inoperância do aparelho estatal e à manutenção de um modelo educacional arcaico, a realidade é de desvalorização da capacitação técnica e profissional. Posto isso, cabe analisar os efeitos dessa conjuntura na vida da população brasileira.

Convém pontuar, em primeiro lugar, a falha do Estado, enquanto órgão capaz de sustentar o acesso ao ensino, como promotora do descaso acerca da preparação técnica no país. Sob essa perspectiva, dados do IBGE apontam que o valor destinado, pelo governo, à educação, corresponde apenas à 5,7% do PIB. Lastimavelmente, tal estatística demonstra a negligência a qual o sistema pedagógico é submetido no Brasil, tendo em vista que, se com essa verba as instituições escolares não conseguem garantir suportes básicos, como professores e infraestrutura, dificilmente poderão ampliar a oferta de cursos técnicos e, consequentemente, a profissionalização. Dessa forma, a contribuição de Vargas para inserir o jovem no mercado de trabalho é deixada em segundo plano e o reflexo disso é, portanto, a manutenção do desemprego decorrente da escassa mão-de-obra qualificada entre os brasileiros.

Em segundo lugar, a ocorrência de um modelo educacional orientado pelas diretrizes arcaicas e mecanizadas é um fator catalisador dessa problemática em questão. Com efeito, ao passo que as escolas atuam apenas reproduzindo conteúdos sem sentido prévio para os estudantes e, assim, não acompanham as mudanças tecnológicas, essas tornam-se obsoletas porque sua função já foi substituída. De fato, não pecou o sociólogo Manuel Castells em sua teoria sobre obsolescência da escola, segundo a qual as instituições que funcionam transmitindo informações estão, no cenário vigente, ultrapassadas, pois toda a informação já está na internet. Dessa maneira, a ausência de inovação, como a promoção de cursos técnicos profissionalizantes, tem como consequência a não permanência desses jovens na escola e, por conseguinte, a marginalização daqueles que nem estudam, nem inserem-se no mercado de trabalho.

Face ao exposto, urge, então, medidas para mitigar esse quadro. Para tanto, cabe ao Ministério do Trabalho, em união com o Ministério da Educação, desenvolver um programa de ensino técnico profissionalizante, intitulado “Tecnoensino”, e inseri-lo nas escolas. Tal projeto deve contar com profissionais da tecnologia e informação, administração e engenharia, os quais serão responsáveis por lecionar, semanalmente, aulas voltadas para a inserção dos jovens no mercado de trabalho frente às novas tecnologias. A partir disso, as pretensões de Getúlio Vargas serão alcançadas no Brasil.