Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Promulgada pela Assembleia Constituinte, a Constituição Federal de 1988 garante o direito à educação e à dignidade humana. Entretanto, diversos jovens ainda enfrentam dificuldades para se estabelecerem no mercado de trabalho. Dessa forma, cabe analisar os desafios e impactos do ensino técnico no Brasil, como possível solução para o desemprego no país e as dificuldades de adequar às demandas do mercado.

Primeiramente, o ensino técnico pode ser uma importante ferramenta para a inserção de jovens em empregos formais, visto que, muitos, devido a condições socioeconômicas, não conseguem ter acesso ao ensino superior e acabam não tendo a oportunidade de se especializar profissionalmente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego atingiu 12,6 milhões de brasileiros no primeiro semestre de 2019. Assim, a especialização técnica proporcionaria a ocupação de cargos que exigem esse tipo de formação, como é o caso dos técnicos de enfermagem em hospitais e técnicos em secretariado nas empresas terceirizadas que atuam em órgãos públicos.

Todavia, precisa ser analisada a demanda do mercado para as diferentes áreas do ensino técnico. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 25% de quem fez um nível médio técnico acabou trabalhando na área de formação. Sob essa perspectiva, é imprescindível que o jovem, ao escolher seu curso, saiba qual a realidade do mercado para aquela área. Dessa mesma maneira, as instituições, que oferecem o ensino técnico devem se atentar para oferecerem mais vagas para as especialidades de maior empregabilidade.

Infere-se, portanto, que o ensino técnico pode ser uma importante arma contra o desemprego. Logo, cabe ao Governo Federal, em parceria com instituições como Senac, Senai e Institutos Federais, oferecer vagas em cursos técnicos gratuitos para jovens de baixa renda em especialidades que tenham uma boa perspectiva de contratação futura, por meio de pesquisas de mercado aplicadas em diversas áreas como tecnologia da informação, saúde e administração, para que os egressos dos cursos consigam exercer sua profissão. Isto posto, será possível diminuir o número de desempregados apresentados pelo IBGE e aumentar a porcentagem do IPEA dos que conseguiram seguir a profissão que escolheram pelo ensino técnico.