Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil

Enviada em 27/10/2019

Na série brasileira “Sintonia”, da Netflix, a personagem Cacau, que cursa o Ensino Médio, quer complementar a renda familiar, mas por falta de oportunidades de emprego, começa um trabalho informal. Essa é a realidade de milhares de jovens brasileiros de periferia, como ela. Isso evidencia a necessidade de ampliação do Ensino Técnico, que pode ajudar no combate à evasão escolar e na maior qualificação da mão de obra formal.

Em primeiro plano, a evasão escolar acontece, em muito, pela distância do currículo em relação à realidade prática do cotidiano desses jovens, que assim como Cacau, faltam as aulas para atuar em ocupações informais, como venda de produtos nas ruas, e entregas por aplicativos. Segundo dados do IBGE, metade da população brasileira vive com menos de meio salário mínimo, sendo assim, a necessidade de ajudar no sustento da família se faz mais urgente que a conclusão do ensino formal, que parece inútil para esses jovens, por não ajudar na formação profissional.

Além disso, diante da 4ª Revolução Industrial, o avanço da complexidade tecnológica faz necessária uma mão de obra cada vez mais qualificada. Evidência disso, pessoas com curso técnico são melhor remuneradas, segundo dados do Ibope. Assim sendo, o aumento de vagas para o Ensino Técnico e o incentivo aos jovens para cursá-lo, pode melhorar a realidade financeira de muitas famílias a longo prazo. Apesar disso, é preciso  mais que campanhas publicitárias para manter esses jovens estudando, dado o cenário de pobreza.

Torna-se evidente, portanto, que é necessário superar o desafio de aumentar o número de jovens cursando o Ensino Técnico e permitir, assim, o impacto positivo na renda de milhares de famílias. Para isso, o Ministério da Educação deve ampliar a verba direcionada a institutos de formação técnica como CEFETs e IFs, de modo que esses possam passar a oferecer bolsas de estudo para incentivar a permanência dos jovens no curso e sua conclusão. Assim, a história de jovens como Cacau poderá ter um final mais feliz, com direitos trabalhistas e mais distante da linha da pobreza extrema.