Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil
Enviada em 25/10/2019
No início do século XIX, durante o governo de Napoleão Bonaparte, a França passou por uma intensa reforma no seu ensino, a partir da criação de liceus que garantiram a formação profissional de parte do funcionalismo público francês. Contemporaneamente, a efetiva especialização da mão de obra pela educação técnica mostra-se um verdadeiro desafio político também para o Brasil. Com efeito, apesar de produzir impactos positivos,como o desenvolvimento econômico, tal modalidade educacional enfrenta empecilhos para seu crescimento, identificados na acentuada padronização da educação.
Em primeira análise,a potencialização do ensino técnico faz-se necessária,visto que arquiteta as bases para o progresso da economia. Isso porque o aprimoramento do método profissionalizante em questão - para além de promover melhora na renda das famílias,na medida que os jovens técnicos atuam de modo mais eficaz no mercado - é capaz de construir um cenário de bem-estar por meio do aumento dos índices de empregabilidade,o que caracteriza um avanço financeiro para o país.Nessa perspectiva,o tema se relaciona à obra “A Era dos Direitos”,de Norberto Bobbio,que aponta a relevância da proteção de direitos como a dignidade.Dessa forma, o direito explicitado no livro seria assegurado pela melhor obtenção de recursos pela população, mediante a otimização do aprendizado técnico.
Ademais,a imposição de padrões educacionais se revela como entrave para o ensino técnico no território.Esse fato ocorre porque os critérios de aceitação das instâncias educativas se tornam cada vez mais globais e,vinculados ao grande capital,ditam o Ensino Superior como o único modelo essencial à capacitação de um estudante,o que ocasiona a depreciação da profissionalização técnica no imaginário dos cidadãos e das empresas.Nesse sentido,o panorama nacional se enquadra no pensamento de Michel Foucault,que indica a “microfísica do poder”,isto é, a capacidade de controlar as opiniões do corpo social pelo sistema vigente.Dessa maneira,os benefícios do método técnico de ensino,como o menor custo em comparação à graduação,são menosprezados a favor do “status quo”.
Portanto,nota-se a pertinência do ensino técnico para a economia e a necessidade de solucionar as determinações do sistema de estudo usual para a evolução do Estado. Por conseguinte, o Poder Executivo Federal deve promover investimentos orçamentários nas instituições técnicas,por meio da ampliação e aperfeiçoamento em toda a nação de seus cursos,os quais sejam ofertados em horário integral, sobretudo nas periferias urbanas,com o intuito de desconstruir aos poucos a desigualdade social.Além disso,cabe às mídias incutir na sociedade a magnitude da temática por intermédio de campanhas publicitárias. Somente a partir dessas medidas,a competência laboral desenvolvida no governo de Napoleão será uma realidade empírica para o Brasil.