Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil
Enviada em 27/10/2019
Realidade distante
Um dos princípios mais difundidos pelo Iluminismo - movimento revolucionário do século XVIII - foi a necessidade de manter consolidada uma sociedade marcada pelo bem estar social dos indivíduos em meio aos avanços técnicos. No entanto, o atual contexto negligência dos diversos agentes sociais brasileiros, na valorização do estudo técnico público, demonstra a fragilidade do país no cumprimento das premissas do século das luzes. Com efeito, o combate à problemática pressupõe o apreço a valores essenciais em uma democracia, a saber, a educação como ferramenta de inclusão.
A princípio, é importante analisar a importância do ensino técnico como instrumento de inserção social na atualidade. Nessa ótica, o geógrafo Milton Santos afirma que a modernização dos meios produtivos, atrelada às novas ondas de tecnologia nesses setores, requer a afirmação de indivíduos cada vez mais qualificados e aptos aos novos modelos de trabalhos, sobretudo em tecnopolos. Sobre isso, entende-se que a ausência de um ensino técnico eficaz causa exclusão no setor laboral, a medida que os novos meios de produção priorizam o contrato por membros mais profissionalizados. Assim, não é razoável a valorização do ensino técnico como mecanismo de inclusão trabalhista.
Ademais, é crucial entender que a omissão de organismos governamentais, acerca da preservação do ensino técnico, corrobora para a insuficiência desse bem social. Sobre isso, dados do ‘‘Jornal Nexo’’ afirmam que, nos últimos 5 anos, menos de 50% dos investimentos a esse setor foi, na prática, consolidado. Com isso, torna-se criada uma sociedade frágil por instrução educacional, visto que mesmo órgãos estatais tendem a ser omissos no desenvolvimento do ensino técnico público. Dessa forma, esse panorama de gestão se encaixa no que o pensador Zygmunt Bauman interpreta por ‘‘Insituição Zumbi’’: um poder que mantém a sua forma, mas não cumpre a sua função social.
Depreende-se, portanto, essencial a adoção de medidas que tenham como fito enfatizar a educação técnica como ferramenta de inclusão no Brasil. Para isso, compete ao Ministério da Educação firmar, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o ensino técnico em escala nacional, de modo a induzir organismos locais a aprimorarem investimentos nesse setor e, assim, formar uma sociedade mais instruída e orientada aos novos modelos produtivos. Além disso, cabe à sociedade civil acompanhar as atuações desses setores sociais e cobrar a esses órgãos pendências de desenvolvimento, a fim de construir uma sociedade mais ativa no aspecto social e, assim, garantir a plena consolidação do ensino técnico. Logo, seria cumprida uma sociedade mais inclusiva e, assim, as premissas iluministas deixariam de ser uma realidade distante.