Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil

Enviada em 28/10/2019

Ao longo da história da sociedade brasileira, o papel da educação sofreu grandes reformulações, sendo que apenas em períodos recentes o direito à formação educacional e ao trabalho de qualidade foi estendido a todos os cidadãos, com a Constituição Federal de 1988. De modo semelhante, o Brasil hodierno lida com a questão do ensino técnico na formação dos jovens, situação que exige que os impactos e desafios dessa atividade benéfica para a sociedade sejam melhor analisados.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o ensino técnico é um excelente mecanismo de diminuição da desigualdade social. Sob este viés, no Brasil,a desigualdade entre os indivíduos se manifesta, dentre outros fatores, em relação à ocupação profissional, visto que apenas uma pequena parcela da população possui salários elevados, ficando a maioria das pessoas com rendimentos financeiros que são, em muitos casos, insuficientes para seu sustento. Nesse sentido, a capacitação em massa dos jovens levaria a um aumento relativo do salário de grande parte da sociedade, diminuindo a desigualdade. Assim, o investimento em educação, e nesse caso em capacitação, seria uma das soluções para a resolução de problemas sociais, como afirma Immanuel Kant.

Adicionalmente, deve-se ressaltar o papel do Estado na resolução dos desafios de implementação do ensino profissionalizante no país. Isso decorre do fato de que essa modalidade de formação ainda não é realidade em todo o país, sendo restrito, de modo geral, a grandes centros urbanos e a instituições como unidades do  SENAI e centros técnicos federais. Essa falta de uma ampla estruturação nacional da formação constitui uma falha governamental, visto que, segundo o filósofo Aristóteles, é dever da representação política zelar pela felicidade e pelo bem comum dos cidadãos, o que seria materializado no aumento do número de adolescentes com acesso a essa formação profissional.

Destarte, o ensino técnico possui uma importante função social e é fundamental que haja maior estímulo governamental visando sua ampliação. Para isso, é de responsabilidade do Ministério da Educação destinar um maior aporte financeiro para as escolas, principalmente as localizadas em periferias e zonas rurais, com o objetivo de que estas passem a oferecer cursos profissionalizantes. Igualmente, o Poder público deve investir em campanhas publicitárias, veiculadas em mídias sociais, onde há a presença massiva de jovens, que incentivem os indivíduos dessa faixa etária a se matricularem em tais cursos e a investirem em seu futuro . Assim, o Brasil estará mais perto de superar a grande desigualdade social existente entre os cidadãos.