Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Ao longo da história da sociedade brasileira, o papel da educação sofreu grandes reformulações, visto que apenas em períodos recentes os direitos à formação educacional e ao trabalho de qualidade foram estendidos a todos os cidadãos, por meio da Constituição Federal de 1988. De modo semelhante, o Brasil hodierno lida com a questão do ensino técnico na formação dos jovens, situação que exige uma melhor análise dos desafios e impactos da implementação dessa atividade no país.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o ensino profissionalizante é um excelente mecanismo de redução da desigualdade social. Sob este viés, no Brasil, a desigualdade entre os indivíduos se manifesta, dentre outros fatores, em relação à ocupação profissional, visto que apenas uma pequena parcela da população possui salários elevados, ficando a massa das pessoas com rendimentos financeiros que são, em muitos casos, insuficientes para seu sustento. Nesse sentido, a capacitação em massa dos jovens estaria em conformidade com o pensamento de Immanuel Kant, visto que, segundo o filósofo, está na educação a resposta para a resolução de problemas sociais mais abrangentes, o que seria manifestado no aumento relativo do salário de grande parte da população.
Adicionalmente, deve-se ressaltar o papel do Estado na solução dos desafios na implementação do ensino técnico no país. Isso decorre do fato de que essa modalidade de formação ainda não é realidade em todo o território, sendo restrita, de modo geral, a grandes centros urbanos e a instituições como unidades do SENAI e centros técnicos federais. Essa falta de ampla estruturação nacional constitui uma falha governamental, visto que, segundo Aristóteles, é dever da representação política zela pela felicidade e pelo bem comum dos cidadãos, o que seria feito com o aumento do número de adolescentes com acesso a essa formação profissional.
Destarte, o ensino técnico possui uma importante função social e é fundamental que haja maior estímulo governamental visando sua ampliação. Para isso, é de responsabilidade do Ministério da Educação destinar um maior aporte financeiro, por meio de verbas institucionais, para escolas públicas, principalmente as localizadas em periferias e zonas rurais, com o objetivo de que estas passem a oferecer cursos profissionalizantes para os alunos, o que pode ser feito em um horário não letivo. Além disso, o Poder Público deve veicular em redes sociais, em razão da presença massiva de adolescentes, mensagens que estimulem o jovem, com o uso de dados sobre a diferença salarial, a investir em sua formação. Assim, o Brasil estará mais próximo de superar a grande desigualdade social existente.