Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil

Enviada em 16/06/2020

O filósofo David Hume defendia: tudo que supera desafios para o conhecimento deve ser considerado como benfeitor da humanidade. No entanto, infelizmente, o atual cenário brasileiro apresenta problemáticas que vão no sentido oposto ao preconizado pelo estudioso, como a preocupante desvalorização do ensino técnico no Brasil. Esse ensino, apesar de ofertar um saber fundamental para benfeitoria da comunidade, por vezes, é, erroneamente, alvo de desprestígio. Assim, é de suma importância enfrentar esse desvalor a fim cessar a concepção difamatória e melhorar o panorama produtivo do país.

Em primeiro lugar, é válido desconstruir rótulos que desmereçam o ofício humano. Nesse sentido, o sociólogo Erving Goffman conceitua estigma como termo usado em referência a um atributo depreciativo. À vista disso, é pertinente inferir que não encarar como profissionalizante e desconsiderar a variedade de oportunidades oferecidas para milhões de brasileiros pelo ensino técnico é estigmatiza-lo, dado que isso menospreza o propósito educativo dessa formação. Esse panorama é lamentável por abrir margens para o eventual desmerecimento de um estudo com o propósito de capacitar o ser para algo que lhe concede liberdade e dignidade: o trabalho. Logo, incabível aceitar de maneira inerte a perpetuação de um ideal comum que desvaloriza essa instrução.

Em segundo lugar, vale frisar o quão imprescindível é afirmar a real significância do ensino técnico para a prosperidade nacional. Isso porque o mercado de trabalho diversificado prospera, pois ele se desenvolve a partir da cooperação entre os indivíduos e seus saberes específicos em áreas distintas. Sendo assim, é compreensível que se ninguém se interessar pela carreira técnica faltarão profissionais qualificados para a realização de determinadas funções e de nada adiantará o excesso de diplomas universitários. A esse respeito, aliás, o livro “O Novo Iluminismo”, do escritor Steven Pinker, afirma que a produtividade depende da habilidade dos trabalhadores com maquinaria, gerenciamento e estrutura. Isso, por sua vez, só é possível se houver a formação especifica para que esses sejam qualificados.

Por conseguinte, medidas que incentivem valorização do aprendizado técnico são de essenciais para transformar essa realidade. Para isso, o Ministério da Educação deve promover iniciativas que valorizem o ensino técnico e sustentem a importância dele para a sociedade. Isso pode ser feito por meio da parceria com instituições dessa modalidade educacional as quais promovam: amostra de profissões de ensino técnico, palestras nas escolas com diretores dessas instituições e profissionais formados atuantes, além de esclarecimento sobre o mercado de trabalho. O efeito disso será o respeito e a apreciação dos cidadãos pela formação técnica primordial para o sucesso da nação.