Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil

Enviada em 11/07/2020

A partir das Revoluções Industriais e o desenvolvimento da linha de produção, houve um aumento significativo no volume e qualidade dos produtos produzidos, exigindo uma mão de obra qualificada e não mais alienada. No entanto, no Brasil, a realidade dos últimos anos ressalta a crise do ensino técnico brasileiro com a falta de incentivos estudantis e as poucas vagas ofertadas pela rede pública. Tais fatos ressaltam a necessidade de soluções para essa problemática, exigindo do Estado a garantia constitucional do acesso à educação.

A priori, o Brasil investe 5,7% do seu PIB em educação, segundo dados da OCDE, porém, grande parte desse investimento é desviado e não chega nas Universidades e Institutos Federais, é o que revela o relatório anual de 2019 do MPF. Resultado disso é a precarização dos centros técnicos e a falta de materiais para aulas práticas, fazendo com que o estudante sinta-se desestimulado a seguir sua formação profissional. Isso ressalta que é preciso o combate efetivo aos desvios de verbas públicas, com o objetivo de garantir aos Jovens um ensino de qualidade e incentivos para a não evasão de seus cursos.

Outrossim, uma reportagem publicada no portal de notícias G1 ressalta que o Brasil ofertou no ano de 2019 pouco mais de 1,9 milhões de vagas no ensino técnico, sendo que, o número de candidatos passou de 6 milhões. Além disso, mais de 87% desses estudantes revelam não receber nenhum auxílio do governo quanto a transporte e alimentação. Reflexo disso é a dificuldade de entrar em um curso e de permanecer nele, contribuindo para um aumento significativo no número de evasões no ensino técnico.

Portanto, fica clara a necessidade de buscar meios para solucionar a crise no ensino técnico brasileiro. Para isso, o Ministério Público em conjunto com o Judiciário, devem desenvolver um aplicativo no qual os estudantes dos cursos possam denunciar qualquer suspeita de irregularidades nas suas instituições de ensino, com o objetivo de coibir e combater toda e qualquer forma de corrupção presente na educação pública. Somado a isso, o Ministério da Educação deve desenvolver parcerias com o setor privado que busquem aumentar os números de vagas e auxílios estudantis dos cursos técnicos, em troca de incentivos fiscais e descontos trabalhistas para as empresas que venham a empregar esses futuros profissionais. Somente assim será possível solucionar essa anomalia social, já dizia o filósofo e educador brasileiro Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda” .