Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Durante os últimos estágios da Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte, líder político e militar da época, instituiu os liceus de artes e ofícios, com o intuito de melhorar a mão de obra e, consequentemente, o aumento da produção. Analogamente aos liceus, no Brasil contemporâneo, há o ensino técnico que capacita os jovens e adultos para o mercado de trabalho. Nesse viés, deve se destacar entre os desafios e os impactos, respectivamente, dessa metodologia a concentração dos polos institucionais em centros urbanos do país e a ascensão social proporcionada pelos cursos.

Em uma primeira visão, é vital pontuar que, com a urbanização acelerada, as grandes instituições profissionalizantes se instalaram nas regiões metropolitanas, deixando as áreas periféricas e rurais longe de alcançar tal educação. Tal processo de modificação das urbes iniciou, no país, no século XX e distanciou aqueles que vivem apartados do centro de receberem esses novos serviços, como uma escola de qualidade oferecedora de ensinos técnicos. Dessa maneira, a sociedade brasileira tende a permanecer segregacionista, uma vez que só poderão desfrutar dessa nova forma de educação os indivíduos que abdicarem do seu lar para viver em um espaço mais privilegiado, o que consequentemente acarretaria em um inchaço urbano.

Em segundo lugar, é fulcral evidenciar o poder de ascensão social que o ensino técnico oferece, já que os estudantes de classes mais baixas têm a oportunidade de estarem qualificados para trabalho formal com cursos que demandam baixos investimentos financeiros ou gratuitos. Nessa perspectiva, essas escolas se tornam grandes impulsionadoras para que o ciclo vicioso social não se mantenha para esses cidadãos, dando chance para que elevem seu padrão de vida. Desse modo, assim como atestou o escritor Rubem Alves, os estabelecimentos de ensino proporcionam asas para que esses alunos alcancem sua autonomia e consciência social.

Fica evidente, portanto, que o curso técnico é um grande impulsionador social, mas se encontra distribuído desigualmente pelo território. Dessa forma, o Ministério da Educação, como órgão que visa a universalização e descentralização do ensino, deve investir nessa formação profissionalizante, por meio da ampliação de institutos que ofertem essa modalidade em áreas carentes do Brasil, a fim de atender a demanda de regiões mais periféricas ou interioranas. Destarte, o Brasil poderá desfrutar dessa educação técnica.