Ensino técnico: desafios e impactos no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada a história de uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa, na atual conjuntura brasileira, é o oposto do que o autor prega, uma vez que a incorporação do ensino técnico no país apresenta alguns desafios que impedem a concretização da teoria de More. Dessa forma, convém analisar a displicência governamental e a disseminação nociva de falsos ideais como fatores que corroboram a problemática em questão.
Primordialmente, é preciso destacar o descaso do Estado como uma das principais causas para as dificuldades enfrentadas na reestruturação do ensino técnico nas escolas. Nesse sentido, a Lei Orçamentária Anual de 2021 foi responsável por diminuir, em um valor preocupante, o orçamento destinado a área da educação. Com efeito, a insuficiência de recursos monetários reflete no agravamento de diversos impasses ante a adesão de cursos profissionalizantes, como a evasão escolar e a desigualdade social. Isso porque, consoante o economista britânico Sir Arhtur, “educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido.” Logo, evidencia-se que uma mudança na postura do Poder Público é indispensável para a reversão desse paradigma.
Além disso, é notório os danos gerados em decorrência da propagação popular de convicções pouco ponderadas, como a comparação entre as formações técnicas e os centros com bacharelados, desvalorizando o último em detrimento do primeiro. Essa depreciação é grave, visto que os benefícios do ensino técnico - como o estudo prático e o menor tempo de duração - não substituem a graduação de nível superior. Nesse aspecto, um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que profissionais com curso superior ganham, em média, 220% a mais que trabalhadores sem formação. Mostra-se, assim, que o ensino técnico deve ter espaço próprio no âmbito empregatício, para que essa nova área favoreça não somente o mercado, como também os indivíduos.
Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão dos desafios e impactos do ensino técnico no Brasil. Para isso, compete ao Governo, que tem como função regrar e organizar a sociedade, a elaboração de projetos que visem minimizar as anomalias que impedem a aplicação e atuação do ensino técnico nas escolas, como a evasão escolar. Essa ação pode se concretizar por meio de recursos financeiros, que serão destinados ao Ministério de Educação para sua aplicabilidade adequada. Ademais, deve haver o aprimoramento no currículo dos cursos técnicos, para que melhor operem no mercado de trabalho. Assim, os impasses desse lamentável cenário serão revertidos e, finalmente, a teoria de More se aproximará da realidade brasileira.