Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 04/11/2025

‘’Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara’’. Essa foi a frase escrita por José Saramago na obra ‘’Ensaio sobre a cegueira’’. A história desse livro retrata a sociedade diante de uma epidemia marcada pela alienação. E, enquanto a ‘’cegueira branca’’ é motivo de tanta brutalidade na ficção, o preconceito relacionado a pessoas obesas no Brasil gera problemas psicológicos e barreiras sociais na vida desses indivíduos, sobretudo para mulheres e adolescentes. Por isso, é necessário discutir sobre essa problemática para, assim, solucioná-la.

Nesse sentido, é válido ressaltar que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a taxa de discriminação com as mulheres obesas é maior quando relacionada a taxa dos homens. Isso mostra que, além da gordofobia, elas precisam lidar com uma sociedade que historicamente possui um machismo enraizado em si, visto que exigem que as figuras femininas se encaixem em estereótipos de beleza para serem aceitas e bem-vistas. Assim, fica evidente que a pressão da discriminação em tantas esferas da vida das mulheres causa danos psicológicos.

Ademais, a ocorrência de obesidade entre adolescentes da faixa etária de 12 a 17 anos atingiu 7% em 2019, consoante o Ministério da Saúde. Devido à presença desses cidadãos no ambiente escolar, eles se tornam mais vulneráveis que pessoas dentro do peso a serem vítimas de bullying e, consequentemente, desenvolverem transtornos mentais, como ansiedade, e distúrbios alimentícios, como bulimia. Dessa forma, fica claro que o preconceito é recorrente no país.

Por isso, é necessário que o Ministério da Educação, agindo com o Ministério da Saúde, promovam campanhas de incentivo ao combate à gordofobia, tornando obrigatórias palestras e atividades nas escolas que busquem conscientizar crianças e jovens em relação às diferenças, visando educar indivíduos respeitosos. Além disso, é preciso que eles proporcionem profissionais aptos a lidar com vítimas de preconceito não somente no ambiente escolar, mas em postos de saúde para toda a população, buscando proporcioná-la ajuda emocional. Assim, o país construirá uma sociedade baseada no respeito e, quando se tratar de Brasil, a ‘’cegueira branca’’ ficará restrita ao mundo da ficção.