Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 24/09/2019
Segundo o filosofo alemão Arthur Schopenhauer, “o homem toma os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. Tal ideia retrata a origem de comportamentos e concepções preconceituosas, decorrentes da ignorância e falta de alteridade. Nessa lógica, apesar da obesidade representar um problema de saúde pública, é inaceitável que pessoas sejam discriminadas e ofendidas por motivos relacionados ao peso e a aspectos físicos. Assim, faz-se necessário analisar as implicações à saúde do sobrepeso, bem como as questões sociais relacionadas.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que a obesidade é um fator de risco a diversas outras doenças, como diabetes, hipertensão arterial e problemas respiratórios. Nesse sentido, o fato de que cerca de 20% da população brasileira sofre de obesidade, de acordo com dados do Ministério da Saúde, demonstra a urgência de medidas que visem a mitigar tal problema. Não obstante, tal enfermidade pode ser considerada um problema de saúde pública, posto que, além de demandar mudanças comportamentais individuais, representa maiores gastos governamentais com tratamento das enfermidades relacionadas, o que afeta o corpo social como um todo.
Contudo, nada justifica atitudes preconceituosas que em nada contribuem em solucionar os problemas enfrentados por pessoas obesas. Nessa lógica, a chamada “gordofobia” se apresenta como uma forma de violência simbólica, que, consorte Pierre Bourdieu, é uma forma não física, mas moral e psicológica de violência, por meio da qual um grupo dominante impõe seus valores sobre os demais. Por conseguinte, tal violência pode acarretar em problemas de saúde mental, como depressão, fobia social e transtornos alimentares.
Evidencia-se, portanto, que a obesidade deve ser enfrentada tanto como questão de saúde quanto social. Destarte, o Ministério da Saúde deve criar uma campanha nacional de combate à “gordofobia” e de informação sobre os riscos da obesidade. Para tanto, cabe ao órgão distribuir cartazes e cartilhas informativas em locais públicos, assim como realizar campanhas publicitárias nos meios de comunicação. Ademais, deverá realizar palestras nas escolas, visto que hábitos e comportamentos são construídos na infância. Somente assim, será possível melhorar a saúde e ampliar o campo de visão da população brasileira.