Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 28/09/2019

No documentário Muito Além do Peso de 2012, evidencia-se como a população, sobretudo juvenil, possui cada vez índices mais elevados de obesidade. Isto é corroborado pela Organização Mundial da Saúde, que tem o sobrepeso como a segunda maior causa de morte a ser prevenida do século XXI. Tais grandes taxas podem ser explicadas por diversos fatores, dentre os quais destaca-se o círculo vicioso entre obesidade, preconceito e o marketing das empresas alimentícias que, frequentemente, associam a alimentação à felicidade e realização pessoal.

Em primeiro lugar, é necessário perceber a obesidade como uma pandemia, logo, necessária de mudanças nos padrões comportamentais da sociedade como um todo. Por exemplo, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, uma entidade só pode ser idolatrada à medida que outras serão excluídas e julgadas. O que, no caso da gordofobia, segundo a Universidade da Pensilvânia, faz com que indivíduos inferiorizados tenham o triplo de chances de desenvolverem doenças cardiovasculares. Logo, em uma sociedade marcada pelo mundo virtual, é necessário dar espaço de fala e de reconhecimento à personalidades que representem pessoas acima do peso e não somente àquelas que representam o estereótipo padrão de corpo belo e magro.

Em segundo lugar, a propaganda feita pelas empresas alimentícias costuma associar o sucesso pessoal e a felicidade aos produtos vendidos, o que fomenta o círculo vicioso, uma vez que a comida se torna a válvula de escape para toda a frustração social. Por exemplo, no documentário dirigido por Estela Renner, é apresentado uma marca de refrigerante com o slogan de “abra a felicidade”, que, apesar de todo o seu baixo valor nutricional, é vista como sinônimo de realização pessoal, tornando seu consumo sinônimo de um alívio passageiro a todo o preconceito sofrido. Desta forma, é necessário romper com esse movimento contínuo por meio da limitação das propagandas que incentivam o consumo exagerado desses alimentos.

Portanto, percebe-se que a obesidade, o preconceito e o marketing estão intimamente relacionados. Por isso, as grandes marcas, em parceria com as redes sociais, devem organizar campanhas de visibilidade, respeito e reconhecimento do corpo acima do peso, que usem figuras influentes e ativistas contra a gordofobia, como a Alexandra Gurgel e Ray Neon, aumentando a inclusão social daquelas pessoas que se sentem excluídas com o padrão estético vigente. Ademais, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária deve limitar a associação dos alimentos com a felicidade e à realização pessoal, por meio de multas àquelas empresas que não cumprirem tal acordo a fim de que o consumo de alimentos pouco saudáveis pare de ser sinônimo de uma existência feliz e sem problemas.