Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 03/10/2019
Na música “Não é proibido”, de Marisa Monte, é feito um convite para diversão por meio da apresentação das mais variadas guloseimas disponíveis na festa. Apesar dos prazeres advindos do ato de comer, a ingestão desregulada de alguns alimentos podem ocasionar diversos impactos na saúde dos indivíduos, como a obesidade e sobrepeso. Ademais, os aspectos de ordem física estão longe de serem os únicos problemas relacionados a essa questão, sendo apontados casos de preconceito e discriminação ligados a essa condição.
A princípio, importa destacar que a obesidade pode decorrer, dentre outros fatores, da má alimentação, sedentarismo e predisposição de ordem genética. Diante dessas possíveis causas é possível perceber influências que o meio pode ter nos indivíduos. Nesse sentido, principalmente a partir da primeira Revolução Industrial e a crescente urbanização, o homem sofreu grandes alterações em sua rotina e hábitos alimentares. Em tal contexto, observa-se, por exemplo, a troca do trabalho rural pelo urbano, muitas vezes com menores gastos de energia corpórea, bem como a substituição de alimentos naturais por processados, com o objetivo de ganhar tempo. Sendo assim, no final do dia a balança calórica vai desequilibrando, numa tendência ao acúmulo de peso.
Ademais, o ganho de massa corpórea tem impactado nas relações sociais dos indivíduos. Se por um lado, em outros momentos da história, foi possível ver corpos gordos como sinônimo de beleza e riqueza, atualmente, o ideal estético aponta como referência o oposto. Essa mudança de conceito do que é padrão, provoca, em muitos casos, o preconceito, que no caso em discussão recebe nome próprio: gordofobia. Diante disso, percebe-se que situações de discriminação envolvendo pessoas obesas e com sobrepeso vão além do que se considera bonito ou não. Como é possível ver, hodiernamente, esse tipo de discriminação atinge as mais diversas áreas como relacionamentos interpessoais, empregabilidade e até mesmo oferta de serviços e produtos, excluindo esse seguimento da população.
Pelo exposto, apreende-se que a questão do sobrepeso e obesidade precisa de cuidados no que se refere tanto à saúde, como ao preconceito. Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Saúde promova uma maior formação em educação alimentar e física, por meio das Equipes de Saúde da Família, de modo a capacitar e estimular os indivíduos ao desenvolvimento de hábitos de alimentação mais saudáveis, bem como a prática regular de atividades físicas. De forma complementar, o Ministério da Educação deve realizar campanhas de combate a gordofobia, por meio de palestras nas escolas, com o objetivo de sensibilizar os estudantes ao respeito e aceitação aos diferentes.